Eu sou uma pessoa otimista. Mesmo. Eu acredito que existe uma conjunção astral mirabolante que no fim vai fazer tudo dar certo.
Eu acredito no motivo oculto na desgraça.
Pelo menos, eu quero acreditar, que nada é em vão.
Gosto de pensar que não é porque o negócio começou meio tortinho, meio manco, que não é porque é difícil que não se pode consertar.
Eu sou o tipo de gente que insiste no caminho errado. Que está perdido, numa estrada obviamente estranha, mas que sempre pensa que se continuar indo em frente, uma hora, seu hotel misteriosamente aparecerá.
Mas esses dias eu ando um pouco balançada. Estou meio cansada de insistir no caminho mais atribulado. Às vezes dá vontade de desistir de tudo e voltar atrás, pra começar de novo, direito dessa vez.
Tem coisas que não nascem pra ser.
É isso que eu tento me falar todos os dias.
Mas, o negócio é, sou uma eterna otimista.
Eu creio que mesmo que quando a explosão é de uma vida severina, ainda dá-se um jeito. Ainda se luta por ela. Ainda há esperança.
Mas, aí, se você olha pro lado e vê as coisas fluindo pra todo lado e você subindo o morro penosamente, que dá uma vontade de parar tudo e voltar atrás, isso dá.
E nesses dias eu venho pensando seriamente se o caminho mais fácil é mesmo um grande pecado.
"E se somos Severinos
iguais em tudo na vida,
morremos de morte igual,
mesma morte severina:
que é a morte de que se morre
de velhice antes dos trinta,
de emboscada antes dos vinte
de fome um pouco por dia..."
Às vezes a vida te dá as coisas encaminhadinhas, tudo certo, as estradas todas óbvias e pavilhadas de tijolinhos amarelos, e você ainda dá um jeito de foder com tudo.
Eu não aguento mais o calor. Chega a tarde você fica completamente sem lugar, não tem onde deitar, como concentrar em nada, dá uma moleza. E o pior, é que nem tem pra onde correr, pra todo lá tá esse calor lazarento.
Em Uberlândia e BH estava a mesma coisa.Pro norte está fazendo 40-42 graus. São Paulo, me disseram, além de tudo não venta.
Fico imaginando se não estamos em um daqueles filmes ruins do Shyamalan e esse é o prólogo, estamos todos numa cidadezinha, abismados com a mudança brusca de temperatura, sofrendo com o clima anormalmente quente pra época do ano, quando uma onda terrível de calor vem e dizima metade da população.
Então.
Estou aguardando a onda de calor assassina, que só isso que falta.
Revi Wall-E esses dias. Wall-E é um daqueles filmes bem intencionados, culpado do pecado de ser lento. Filmes lentos são imperdoáveis. Principalmente filmes pra crianças.
O robô já não fala, até aí tudo bem, se a barata fosse tagarela e meio atrapalhada. Mas a barata e a namorada também são bem sem graça.
Mas, enfim, perdi a linha de raciocínio.
Depois da onda de calor que vai nos dizimar, pegaremos nossas naves e viveremos no espaço, como em Wall-E, pegando uma fresca ali pras bandas de Marte, porque aqui na Terra, filho, não tá dando mais.
Ou isso, ou vou ter mesmo que comprar um ar condicionado.
Às vezes, mesmo você estando bem, só de pensar nas coisas que acontecem dá uma vontade terrível de chorar.
Ficar pensando demais em tudo que é como é, é bobagem. Tem coisas que não dá pra salvar.
É isso.
A lição número um: tem coisas que você tem que deixar ir. Que você tem que afrouxar os dedos e observar se afogarem.
Essa é, pra mim, uma das lições mais duras, que eu tenho que me re-ensinar diariamente e mesmo assim, quando vejo, lá estou me esquecendo, me apegando.
Algumas coisas são como são. Dr. Junqueira passou horas e horas de estágio conosco pra nos ensinar esse simples fato da vida. E mesmo assim, não tenho certeza se foi bem sucedido.
Porque a linha do que se pode e não salvar é muito tênue. Muito mal delimitada. E, na maioria das vezes, nos sentimos incapazes de julgar. Afinal, quem somos nós pra decidirmos?
Mas, bem, só tem a gente.
Por isso, nos dias em que a vida está sufocante e pesada por conta de tudo que está irremediavelmente perdido, o que cai como uma manta quente sobre os meus membros desnudos é pensar em tudo que pode ser.
Em tudo que dá esperança.
Em tudo que florescerá, apesar de nós e por nossa causa.
E isso tira do peito a saudade horrível do que poderia ter sido, mas nunca será. E substitui pela esperança do que poderá ser se você fizer tudo direito e Deus ajudar.
JP: A única verdade aceitável sobre as pessoas que amamos é que um dia elas vão embora. Não raro, é uma partida anunciada. Não raro, esperamos por ela impotentes, cientes de que cada toque ou cada palavra poderá ser a última e, portanto deverá ser perfeita. Destino consumado, sofreremos e nos recordaremos. Com o tempo, seguiremos impassíveis ao que vivemos até que tudo fique simplesmente para trás. Ou talvez, que tudo volte como uma bomba, no meio de uma melancolia qualquer ao final de um dia ocioso ou quem sabe um sorriso diante de um deja vu qualquer.
MA::A única verdade aceitável sobre as pessoas que amamos é que um dia elas vão embora. Vão, às vezes, sem aviso nenhum. Vão apesar da falta imensa que nos farão. Às vezes, muito antes deste momento chegar, eu pensava em como seria, em como seria terrível o dia em que vocês não estivessem mais ao alcance das mãos, que eu não pudesse mais me encontrar com vocês casualmente em um corredor do hospital ou na fila do R.U. E agora que o momento chegou o que fica é um peso, em algum lugar estranho no peito e uma vontade escondida de, não sei, talvez chorar.
JP:: Por mais que soe fatalista, de certa forma, sempre soubemos disso. Nosso primeiro encontro teve até dia para acontecer, lembra? Nós fomos até ele, cheios de curiosidade e esperança. Fomos, ansiosos por amigos, colegas de jornada, por cúmplices de sonhos. Fomos, com uma disposição que poucas vezes experimentamos. Com um coração sedento por novas impressões, por novos valores. Sedento por compreensão e por confidências.
E nós encontramos. Encontramos irmãos. Encontramos quem nos fizesse esquecer que estávamos longe de nossas famílias, longe de nossas casas, que estávamos perdendo tantos momentos únicos e sacrificando tanto, tanto para nos tornarmos o que sempre sonhamos.
MA::Sabe, quase nunca foi fácil. Quase nunca foi um caminho liso e tranqüilo o que percorremos. Mais de uma vez estivemos cansados, sonolentos, depois de um pão-de-queijo rápido numa aula às 7 da manhã. E não estivemos sozinhos. O que me deixa triste agora é o fato de nunca ter ficado sozinha. De ter tido sempre algum companheiro com um olhar igualmente pesado, se arrastando comigo em direção ao alojamento. Sempre houve alguém com quem dividir a preocupação com uma prova, o último feito de um paciente, alguém para mostrar a quantos centímetros do rebordo o baço está mesmo. E o fato desse alguém que sempre esteve lá não estar mais, esse fato sozinho, isolado, machuca como uma punhalada, como um soco bem dado, esperado por muito tempo, mas nem por isso, sabe, nem por isso menos doído.
JP::Mas o mais doloroso não é ter vivido tanto com vocês e ter a convicção irrefutável de que eu não seria metade do que eu sou de melhor se não fosse nossa tenra convivência. Não é saber que nossos encontros serão escassos e nossas prioridades tão adversas.
O mais doloroso é imaginar o que será das nossas memórias, das nossas risadas, dos nossos choros ou de nossos abraços. O mais doloroso é imaginar onde estará nossa amizade. No meio desse adeus, onde estará tudo o que esperamos uns para os outros.
MA::Então é melhor que isso seja um tchau. Uma despedida breve. No máximo (quem sabe?) um até logo. Então isso talvez seja um abraço apertado e um te vejo amanhã. Então, talvez você saiba que amanha eu te ligo, que não demora nada nada e a gente vai se ver de novo. Por isso, meu caro, não precisa ficar triste. Não precisa desta nostalgia boba que teima em vir. Não tem necessidade de ficar lembrando nossos melhores momentos. Não precisa ficar pensando em como éramos jovens. Não precisa ficar falando dessas coisas antigas. Pensa que é só até agorinha. Mesmo que talvez depois a gente nem se veja. Mesmo que você vá lá ser médico no Canadá e eu fique por aqui mesmo. Mesmo que sejamos nós de novo apenas naquela fotografia antiga, naquela memória distante, naquela placa. Então é melhor pensar assim, até logo. Foi um prazer, mesmo.
JP:: A única verdade irrefutável é que nós perdemos as pessoas que mais amamos. É um fato, desses da vida que só cabe à gente aceitar.
Ah, meus colegas. Mas mesmo assim vocês farão tanta, tanta falta.
Imagine que você quer comprar uma casa no valor de 50 mil. Sua renda é razoável, você não tem dinheiro em caixa e precisa de um financiamento. As parcelas dão metade do seu salário e nenhum banco de senso ia te emprestar dinheiro nenhum.
Agora imagine que uma renomada universidade em Boston diga ao banco que é um ótimo negócio investir em você, que por você ser um investimento de alto risco, você vai render muito. Mostram vários gráficos. Os banqueiros acreditam e ficam muito animados com essa fatia do mercado. Todo mundo começa a investir em você e te emprestar dinheiro para as hipotecas.
Os juros caem e mais gente investe.
O problema é que os bancos não tinham tando dinheiro em caixa assim e para investir nessa população eles inventaram umas notas promissórias. Uns papeizinhos que não eram dinheiro mas faziam de conta que eram.
Quando muita gente tem dinheiro que na verdade não é dinheiro, isso significa inflação.
Os juros começaram a subir pra combater a inflação.
Você que comprou sua casinha, de repente está tendo dificuldades para pagar sua hipoteca. Começa a inadimplência.
Todo mundo começou a ficar muito desconfiado de todo mundo e ninguém queria investir mais em ninguém ou comprar nada.
Iniciou-se uma grande recessão.
Então, os bancos e empresas (de seguro, inclusive) que puseram suas fichas em você (subprime) começaram a falir, porque os papeizinhos que elas juraram que eram dinheiro, não eram dinheiro de repente, eram só papéis.
E quem estava com esses papéis na mão começaram a ficar muito preocupados e quiseram que os bancos transformassem eles em dinheiro imediatamente.
Os bancos começaram a querer de volta as casas dos inadimplentes.
O governo precisou injetar dinheiro na economia pra poder comprar as notas promissórias, que no caso são papéis podres, e não vâo dar retorno pra ninguém.
Dinheiro esse que iria pra educação, estrada, ser investido em fazendas, poços de petróleo e guerras.
As empresas americanas (nosso "capital externo") se retraem e passam a investir só internamente, pra fugir da crise.
"You know I'd do most anything you want
Everyday I, I try to give you everything you need
We'll always be there for you
I don't believe in many things
But in you I do" Simply red
Olhando para trás percebo que a culpa de tudo é do Simply Red. Nada disso teria acontecido se quando eu cheguei a rodoviaria nao estivesse passando For Your Babies. Existe algo naquela música que me faz achar que eu posso tudo.
Veja bem, estava chovendo. E a culpa foi da chuva também. Do medo do meu pai de motos. Da minha conta bancaria zerada Da fortuna que eu gastei com meu irmão.
Eu tinha vinte reais para gastar com taxi e nenhuma intenção de faze-lo. Pensei em pegar um Moto-taxi, me economizando 16 reais. Tudo bem, o que meu pai não sabe não vai mata-lo. O problema é que choveu. Depois de uma semana de calor infernal, justo quando preciso de um céu de brigadeiro...Chove.
E estava tão lindo, tão coisa de filme, eu na rodoviaria com 4 malas, numa liberdade enlatada, na chuva. Eu não queria, não podia gastar aqueles 20 reais. E ainda teve For Your Babies. Acabo de descer do onibus e a voz do Mick naquela calma toda. Podem falar o que quiser daquela música. Que é melosa(concordo), que é enjoativa (concordo também) mas ainda está nas minhas preferidas de todos os tempos.
Por isso resolvi pegar o onibus. Porque mataria minha mãe do coração me ver no atravessar a rodoviaria na chuva e pegar a ultima linha para o terminal central.
Estava tão vazio. Tão solitário. E aquela chuva fina. E eu sentindo que nada de ruim nunca, nunca poderia me acontecer enquanto eu estivesse naquele onibus. Sentada na companhia de quatro estranhos, carrendo mais sacolar do que mãos, com os oculos embaçados.
Era como se nada, nunca, pudesse me prender. Me impedir. Era a liberdade mesmo que tardia. Era aquele prazer puro de rodar a noite sem porque. De dirigir sozinha sem rumo. De escutar For your babies.
Quando cheguei ao terminal fui pegar o Marta Helena. Sentei no mesmo lugar em que tinha estado quase um ano atras, com a Thallita( bebada), conversando com os protestantes estrangeiros, numa noite igualmente boa. Sorri daquela lembrança oportuna. De nós sentadas no ponto de onibus, numa rua desconhecida, a noite, depois de deixar a Vivien em casa. Com a música do churrasco ainda vindo de longe.
Já era quase meia noite quando o 109 chegou. Desta vez era eu e um menino. Logo eu era a ultima passageira.
O cobrador perguntou para onde eu ia.
"Perto da delegacia"
"Perto da delegacia, Cleiton" Gritou para o motorista.
Depois veio uma longa explicação sobre como aquele onibus não ia para aqueles rumos, porque era a ultima volta e excepcionalmente ele parava nos bairros e ia para garagem.
Mas eles iam me deixar em casa mesmo assim.
Ainda chovia fino e o mundo estava lindo. E eu ali no onibus simbolico.
Um taxi não faria melhor, parei em frente ao portão, tive que andar três passos.
Nem me molhei.
Agradeci aos meu companheiros, me desculpei, desejei uma boa noite e subi as escadas cantando, apesar das quatro malas.
"I don't believe in many things..."
E foi assim que por culpa do Simply red eu fiz um onibus sair da rota e me levar pra casa.
"O velho sem conselhos
De joelhos
De partida
Carrega com certeza
Todo o peso
Da sua vida
Então eu lhe pergunto pelo amor
A vida inteira, diz que se guardou
Do carnaval, da brincadeira
Que ele não brincou
"Me diga agora
O que é que eu digo ao povo
O que é que tem de novo
Pra deixar
Nada
Só a caminhada
Longa, pra nenhum lugar"
Esse ano está no fim, enfim. Não foi o melhor. Tinha tanta perspectiva. Tanta tanta. Eu falhei. Falhei com 2005. Esse é o ano mais triste de todos. Porque os outros, um bocado dos outros anos, eram os que poderiam ter sido, os que quase foram, os anos melancólicos, quase Bandeira. Os anos que não vingaram mas viveram de certa forma numa alegria incontida, numa adolescencia eterna. Numa espera.
Esse ano não foi nada disso. Esse ano eu errei. Eu falhei. Eu decepcionei. Esse ano eu enfiei o pé na jaca mesmo. Eu fui burra. Eu acreditei. Eu me iludi. Eu caí. Eu queimei.
Esse ano ninguém morreu mas eu perdi tanta gente. Eu me perdi. Esse ano as coisas não deram certo. A grande maioria das coisas não deu certo esse ano.
Mas a verdade é que não estou aqui pra dizer das coisas felizes que aconteceram. As coisas felizes estão guardadas aqui comigo tão preciosas como lágrimas.
As coisas tristes é que estou expondo. Tudo que nasceu respirando e com o coração batendo, mas sem chance nenhuma de vida. Como os bebês prematuros naquele plantão longinguo da G.O.
Antes eu queria voltar no tempo e começar de novo, fazer direito dessa vez. Antes eu achava que podia consertar tudo. Que tudo ia dar certo. Mas estou velha agora. Agora eu sei. Não adianta começar tudo de novo. Não adianta.
Finalmente aprendi com os erros. Finalmente. Demorou tanto. 21 anos. 21 anos e só agora fui entender. E bem capaz que não estou entendendo direito.
Mas vocês sabem o que estou falando, não é? Talvez eu não esteja sendo clara.
Estou falando de magoar pessoas queridas achando que não tem jeito, estou falando de ficar em silencio nas horas erradas, estou dizendo de falar demais o que não se deve. Estou falando de dar conselhos sem lógica. De negligenciar. De lavar as mãos. Estou falando sobre covardia em horas improprias. Estou falando de acreditar nas mentiras erradas. Estou falando de acreditar que é diferente dessa vez e nunca é. Estou falando de achar que vai dar certo e não mudar quando se deve. Estou falando de falhar. De falhar de novo e de novo. De fazer escolhar erradas.
Estou falando de ser humano. Humanissimo. Esse ano. Esse longuissimo 2005 muitas coisas deram certo, mas nenhuma por escolha minha, por ajuda minha, por minha causa.
Esse ano eu só errei. Mas aprendi tanto.
Aprendi que se levanta, apesar de doer pra burro. E que se continua amando, apesar de doer também.
Aprendi que eu ainda sou como era aos 13. Eu ainda amo todo mundo. E sinto falta de tudo. Sinto falta de tudo. E ainda não me recupero.
Eu sou a mesma, mas com conhecimento.
Ano que vem vai ser diferente. Só estou esperando a greve passar. A fumaça parar de deixar meus olhos vermelhos. Estou indo nessa maré tranquila tentando me perdoar, tentando me redimir da culpa.
Esse ano não deu certo mas ninguém acerta sempre. Ano que vem vai ser bem melhor.
"O velho de partida
Deixa a vida
Sem saudades
Sem dívida, sem saldo
Sem rival
Ou amizade
Então eu lhe pergunto pelo amor
Ele me diz que sempre se escondeu
Não se comprometeu
Nem nunca se entregou
Me diga agora
O que é que eu digo ao povo
O que é que tem de novo
Pra deixar
Nada
Eu vejo a triste estrada
Onde um dia eu vou parar"
Mas o motivo desse post longuissimo é mais pra dizer que quase nada mudou. Errei tanto e ainda vivo do mesmissimo jeito. Quero as mesmas coisas, converso no mesmo tom, com meus mesmos amigos, minha familia, meu namorado, meus bichinhos de estimação.
Esse post é pra dizer que quase ninguem vai ver o que mudou. Quase ninguém vai notar. Estou falando de algo sutilissimo, que eu mesma demorei tanto pra notar que quase passou sem ser devidamente catalogado.
Mas aqui está, percebi a tempo pra falar para quem se interessar o suficiente pra ter chegado até aqui.
Não sou mais criança, envelheci.
E é isso.
"O velho vai-se agora
Vai-se embora
Sem bagagem
Não sabe pra que veio
Foi passeio
Foi passagem
Então eu lhe pergunto pelo amor
Ele me é franco
Mostra um verso manco
De um caderno em branco
Que já se fechou
Me diga agora
O que é que eu digo ao povo
O que é que tem de novo
Pra deixar
Não
Foi tudo escrito em vão
Eu lhe peço perdão
Mas não vou lastimar"Chico Buarque de Holanda, O velho
E foi Buaque (sempre) que disse melhor. O que falo ao povo? Que nada há de novo. Que foi tudo escrito em vão.
"The common fate of all things rare "
Edmund Waller
Nesta vida que venho vivendo há pouco mais de vinte e quatro anos aprendi algumas coisas. Muito poucas, diga-se de passagem, são dignas de nota.
Aprendi a andar, usar meu polegar opositor e dar cambalhota. Todos grandes feitos disfarçados, já que a grande maioria das pessoas faz o mesmo sem grande esforço aparente.
O importante na vida são as coisas raras.
Há quem diga que o que vale são as pequenas coisas, o dia a dia, que a felicidade tá no feijão com arroz.
Mas venho discordando dessa verdade nesses últimos tempos.
O importante mesmo são as coisas raras. O comum, o comum eu tenho diariamente sem muito esforço.
Do comum, quase todo mundo é capaz.
O bom da vida é o extraordinario.
E é por ele que temos esperado todos esses anos. Todos esses dias de todos esses anos.
E quando encontramos, que alegria que é. E nossa tendência óbvia é nos mantermos com ele.
E o próximo passo é torna-lo comum.
Esse é o destino da maioria das coisas raras.
Por isso temos que tomar cuidado com elas. Temos que conviver com o raro sem muda-lo demais.
Porque sempre existe o risco do que era raro se tornar apenas mais um, e aí?
Então, se tem uma coisa que eu aprendi, e me orgulho, é de tratar tudo que é raro como se fosse raro.
Todos os dias.
E nunca me acostumar com a beleza do que é único. Mesmo que eu veja isso todo dia, eu sempre tento me lembrar:
No momento procurando regras sob as quais viver.
Aceito sugestões.
Vicios
Apanhador no Campo de Centeio
1984
Harry Potter(s)
Ligações Perigosas
O Hobbit
A Hora da Estrela
Dom Casmurro
O Cheiro de Deus
Quincas Borba
As meninas
A morte e a morte de Quincas Berro d'agua
Crime e Castigo
A volta do parafuso
O pequeno principe
A noite escura e mais eu
Diario de Anne Frank
O Mal Estar na civilização
O xango de Baker Street
O grande garoto
Em algum lugar do passado
Primeiras Estórias
Vidas Secas
Feliz ano velho
Insustentável leveza do ser
O retrato de Dorian Gray
Virtudes
O rei Leão
Beleza Americana
Filadelfia
Estranho no ninho
Fabuloso destino de Amelie Poulin
Clube da luta
Central do Brasil
Amnésia
Três formas de amar
O talentoso Ripley
Casablanca
Os excentricos Tennenbauns
Será que ele é
E o vento levou
Império do sol
Bonequinha de luxo
Inteligencia artificial
Magnólia
O sexto sentido
Telma e Louise
Cidade de Deus
Conta comigo
Os outros
Matrix
Deuses devem estar loucos II
Esqueceram de mim
Molin Rouge
Chicago ...