Meu Deus por que me abandonaste se sabias que eu não era Deus, se sabias que eu era fraco.
(Carlos Drummond de Andrade)
Comments:
Segunda-feira, Junho 30, 2003
 |
 |
 |
 |
" let me take you down
cause i'm going to strawberry fields
nothing is real
and nothing to get hung about
strawberry fields forever
strawberry fields forever
strawberry fields forever" the beatles
Arranjei os morangos todos em uma fila quase anal retentiva. Estavam todos lavados, cheirando a pseudofruta, vermelhos e molhados. Tentei não pensar em toda sua simbologia. Morangos e pêssegos são estranhos. Sempre trato de comê-los com cuidados especiais. Evitando tendências freudianas e clichês baratos. Minha cabeça dói. A bem pouco mais de um mês, numa noite também gripada, esse blog nasceu. Ainda não ajeitei o template, provavelmente nem saberia como fazê-lo se tivesse tempo. Faltam links, falta o e-mail, aprender como por figuras... Mas me divirto com ele. Arranjo coisas para fazer durante aulas chatas, faço amigos, procuro textos para citar. Fujo de estudar para a prova de Fisio, que chega com velocidade assustadora, e deixo de pensar na minha gripe numero cinco, em menos de seis meses (provavelmente um Record mundial). Escrevo aqui da forma que como morangos... Com açúcar pra dar gosto na sua insipidez, um pouco compulsivamente e quando não deveria estar fazendo. Como faço tudo na vida, aliás. Nem sempre do melhor jeito, do mais saudável, mas do único que sei como.
Todo meu amor para minhas queridas aniversariantes, Lisinha, que parecia tão tristinha hoje que deu vontade de prometer que ia melhorar. E Iracema, apesar dos anos luz de distância.
postado por: Maria Anita 9:14 PM
|
 |
 |
 |
 |
Comments:
Sábado, Junho 28, 2003
Comments:
Sexta-feira, Junho 27, 2003
 |
 |
 |
 |
Leia abaixo trecho do livro "Fomos Maus Alunos", de Gilberto Dimenstein e Rubem Alves , recém-lançado pela Editora Papirus (R$ 19,90, 128 págs.).
Experiência de confluência
Dimenstein - Por que você virou educador?
Alves - Tenho a seguinte teoria (eu disse só a teoria, pois não tenho provas para isso): todos nós nascemos com determinados saberes. A aranha nasce sabendo fazer teia, o caramujo nasce sabendo fazer a concha. Meu conterrâneo de Boa Esperança, Nelson Freire, é um pianista absolutamente fantástico. Por que ele ficou um pianista fantástico? Não foi porque foi ensinado, não foi porque estudou muito. Porque eu estudei muito mais do que ele e nunca aprendi a tocar piano. É porque tinha algo dentro dele. Aliás, você que é judeu. Tem um dos salmos, terrível, que diz assim: Inútil te será levantar de madrugada e trabalhar o dia todo porque Deus, àqueles a quem ele ama ele dá enquanto dormem. Eu acho que nasci educador. De repente, descobri que é uma delícia comunicar idéias. Primeiro tem o projeto de gestação. Porque você tem de ter uma idéia para comunicar, aquela coisa que pega, dá paixão, e que para mim é um jeito de fazer amor com o outro. Isso tem a ver também com a sua tradição. Porque lá na Bíblia, quando diz que o marido transou com a mulher, como é que diz? Ele conheceu a sua mulher, que é um ato essencialmente prazeroso. Acho que o ato de educar é essencialmente sexual e prazeroso.
Dimenstein - É interessante, porque conhecer, do latim, vem de nascer com.
Alves - Eu não sabia!
Dimenstein - Só se conhece, de fato, alguma coisa quando nascemos com ela. Só entendemos a poesia quando nos emocionamos na descoberta de suas metáforas.
Alves - Às vezes, as pessoas me perguntam: Quem foi que influenciou você? Eu digo: Ninguém. Não tenho memória de alguém que tenha me influenciado. Influenciar é uma coisa que vem de fora para dentro. Eu tenho a experiência de confluência. Confluência é quando você bate com uma pessoa. Sabe quando você tem duas taças de cristal? Você bate as taças e as duas, então, reverberam. Há pessoas que bateram em mim e eu descobri coisas dentro de mim que ninguém me ensinou, mas eu descobri que as coisas estavam dentro de mim. Então, para mim, o educador tem muito a ver com isso. Você vai lá provocar, não para ensinar alguma coisa à pessoa. Isso é a teoria socrática da educação. Sócrates dizia que todos nós estamos grávidos de beleza, e que a tarefa do educador, como na história de A Bela Adormecida, é dar o beijo, o beijo para despertar uma inteligência que estava adormecida. Sabe quando foi que o escritor saiu da fundura onde estava e apareceu? Não foi porque eu estudei literatura; não foi porque aprendi gramática. Não foi nada disso! De repente, ele apareceu não sei como, mas tem a ver com dois momentos na minha vida. Num desses momentos, eu sou agradecido aos professores do IFCH (Instituto de Filosofia e Ciências Humanas) da Unicamp, porque foi o período mais infeliz da minha vida depois do tempo que passei no Colégio Andrews. Todo mundo era marxista religioso, sem humor. Marx eu acho maravilhoso. Acho Marx muito divertido, muito poético. Mas os marxistas eram insuportáveis. E como eu era meio diferente, novamente tive a experiência de isolamento. Lia os livros que não eram para ser lidos, aparecia com livros. Eu era sempre colocado à margem. Então, fiquei cansado daquilo, de tentar obter boas notas com eles. Quando você escreve um paper, você escreve para quem? Para os seus pares, para que os pares o citem. Quando os pares o citam, isso quer dizer que você tirou boa nota ¿ equivale ao boletim. Houve um momento em que eu estava com o saco tão cheio que falei: Não quero mais isso. Resolvi soltar as frangas. E isso teve a ver com uma experiência muito traumática na minha vida, que foi ver nascer uma filha com um defeito facial. Ela está ótima hoje. É arquiteta, paisagista. Mas quando ela nasceu, descobri que tudo aquilo que eu fazia na universidade não tinha o menor sentido para mim. Não era pão. Não tinha o que fazer com aquele conhecimento que eu tinha. Então, resolvi que, daquele momento em diante, só iria escrever coisas em que acreditasse e do jeito que eu quisesse escrever. Isso tem a ver com humor, com poesia, porque em artigos acadêmicos você não pode ter humor nem poesia.
Dimenstein - Eu já era adulto e fui a um psiquiatra. Disse a ele: Puxa, eu queria consertar essa minha incapacidade de focar as coisas, queria parar de desligar o telefone na cara da pessoa, achando que já havia terminado a conversa, de perder tudo, de ser desorganizado. De me dispersar, de falar várias as mesmas coisas, de pular palavras nos textos que escrevo, de ficar com olhar perdido durante uma conversa com um amigo ou amiga. Ele me disse: Gilberto, você se virou vida, não é? . E disse uma coisa que me fez entender um pouco como aprendo. Você é tão acelerado que presta atenção em muita coisa ao mesmo tempo. É como uma criança solta numa loja de brinquedos. Só que você consegue fazer uma ligação entre essas coisas. No auge do hipertexto, com o boom da internet, eu morava em Nova York. Foi um amor à primeira vista. Não me incomodava, muito pelo contrário, aquele forma não-linear da informação, na qual se ia pulando de galho em galho em segundos. Era como eu sempre fui na escola e na vida, ia prestando tenção em mil coisas ao mesmo tempo: No gaiteiro, na Segunda Guerra Mundial, em Biafra, em Bangladesh, na pílula anticoncepcional. Mas a escola dizia assim: Você tem de prestar atenção nisto aqui.
(...)
postado por: Maria Anita 1:19 AM
|
 |
 |
 |
 |
Comments:
Quinta-feira, Junho 26, 2003
 |
 |
 |
 |
Apesar de você
Chico Buarque/1970
Hoje você é quem manda
Falou, tá falado
Não tem discussão
A minha gente hoje anda
Falando de lado
E olhando pro chão, viu
Você que inventou esse estado
E inventou de inventar
Toda a escuridão
Você que inventou o pecado
Esqueceu-se de inventar
O perdão
Apesar de você
Amanhã há de ser
Outro dia
Eu pergunto a você
Onde vai se esconder
Da enorme euforia
Como vai proibir
Quando o galo insistir
Em cantar
Água nova brotando
E a gente se amando
Sem parar
Quando chegar o momento
Esse meu sofrimento
Vou cobrar com juros, juro
Todo esse amor reprimido
Esse grito contido
Este samba no escuro
Você que inventou a tristeza
Ora, tenha a fineza
De desinventar
Você vai pagar e é dobrado
Cada lágrima rolada
Nesse meu penar
Apesar de você
Amanhã há de ser
Outro dia
Inda pago pra ver
O jardim florescer
Qual você não queria
Você vai se amargar
Vendo o dia raiar
Sem lhe pedir licença
E eu vou morrer de rir
Que esse dia há de vir
Antes do que você pensa
Apesar de você
Amanhã há de ser
Outro dia
Você vai ter que ver
A manhã renascer
E esbanjar poesia
Como vai se explicar
Vendo o céu clarear
De repente, impunemente
Como vai abafar
Nosso coro a cantar
Na sua frente
Apesar de você
Amanhã há de ser
Outro dia
Você vai se dar mal
Etc. e tal
Vinha escutando essa música no ônibus, duas, três vezes. É uma das minhas preferidas, sempre me dá uma impressão de que tudo vai ficar bem, naquele sambinha gostoso, bem Buarque. Além disso, culpa o outro. Um "você" a parte. Ainda época da ditadura quando ele escreveu, mas não é limitada no tempo, e quando ele grita "Todo esse amor reprimido/Esse grito contido/
Este samba no escuro" é lindo. Se estiver a noite e o ônibus muito lento, me bate uma tristeza infinita. E a vida vai se indo, quem sabe tudo melhora e numa manhã o sol venha a nós, esplendoroso... E esse dia a de vir antes do que você pensa....
postado por: Maria Anita 6:07 PM
|
 |
 |
 |
 |
Comments:
Quarta-feira, Junho 25, 2003
 |
 |
 |
 |
"Tudo o que existe em mim de grave e carinhoso
Te digo aqui como se fosse ao teu ouvido...
Só tu mesma ouvirás o que aos outros não ouso
Contar do meu tormento obscuro e impressentido"(Confidência, Manuel Bandeira)
O que não ouso dizer guardo como a um abraço. O que não falo sai pelos poros, sem querer. Transpira, acusa. Minhas palavras não ditas primam em aparecer. Sou tão obvia. Olho para todos os meus detalhes e não vejo segredos, mas manchetes. Já enjoei de mim. Sou um grande clichê com pernas, tão igual. Um livro que se repete, um disco que furou. Ando em círculos, procurando em volta do mesmo ponto respostas para o que já sei. Na verdade, devia estar estudando genética, ou treinando o Si menor. Quem sabe até mesmo lendo Fisiologia, ou, horror dos horrores, Bioquímica... Mas a verdade é que sou a mesma de antes. Não mudo, me movo com a velocidade dos continentes. Não saio do lugar. Ainda digo o que deveria guardar e guardo o que deveria dizer. Ainda não aprendi escolher, não sei esquecer, esqueço demais... ainda durmo no quarto da minha mãe quando volto pra casa, brinco de lego com meus primos, ando descalça contra orientação. Ainda me perco, durmo na biblioteca, sujo a barra da calça que não sou eu quem vou lavar. Todas as pessoas erram, algumas só são melhores nisso do que outras. Como diz aquela propaganda da globo, nada substitui o talento. Meu talento para errar continua igual. Eu não aprendo. Criança teimosa que fui, caía dez vezes da mesma árvore até concluir que nunca conseguiria chegar até seu Maximo. Ainda estou aqui, no mesmo lugar, tentando subir a mesma árvore, escalar o mesmo muro, fugir do mesmo cachorro chato... Ainda falho e me repito. Ultimamente, desisti. Pus as mãos no bolso e ando esperando o temporal passar.
postado por: Maria Anita 8:39 PM
|
 |
 |
 |
 |
Comments:
Terça-feira, Junho 24, 2003
 |
 |
 |
 |
"Why does it always rain on me?
Is it because I lied when I was seventeen?
Why does it always rain on me?
Even when the sun is shining
I can't avoid the lightning " Travis
Talvez esteja tudo mesmo no passado. Afinal quem dirá qual religião está certa? Se existe alguma certa? Talvez os seres sagrados sejam mesmo as vacas e vamos todos queimar no inferno por termos ido muitas vezes ao Mcdonalds. Quem sabe fomos Caim, ou Hitler em vidas passadas e agora voltamos para pagar. Talvez não exista ninguém lá em cima que olhe por nós e estamos aqui, soltos no mundo. Ainda não decidi, a única coisa que sei é da chuva. Chove sempre. Mesmo quando há sol. Vento. Calor. Em qualquer tempo da vida, chove. Às vezes mais, um temporal, que te deixa preso em casa, te assusta com os trovões, leva a energia e estraga o tapete. Às vezes menos, só uma garoa gelada, nada que você não enfrente, que você não suporte. Algumas vezes temos guarda chuvas e capas para nos proteger. Às vezes estamos sozinhos no meio de toda a água. A questão mesmo é que chove e eu não sei porque. Desde muito antes, antes de mentir, tomar do cálice sagrado, comer hambúrgueres... sempre choveu e agora, desconfio, choverá para sempre.
Variações de um mesmo tema... Post conjunto com o Gabriel
postado por: Maria Anita 1:00 PM
|
 |
 |
 |
 |
Comments:
Segunda-feira, Junho 23, 2003
 |
 |
 |
 |
"Eu perco as chaves do carro, eu perco o freio
estou em milhares de carros eu estou ao meio" Adriana Calcanhoto
Minha mente esquece. O cabo de conexão da internet, a conta para pagar, de cortar as unhas. Esquece onde guardou o caderno, o que fez com as laranjas, como se soletra together . Ela tem brancos repentinos, na sala pensa em pegar um copo d'agua, na cozinha já não se lembra o que faz ali. Sonha e depois não sabe mais se foi mesmo um sonho ou uma lembrança antiga. Esquece que dia é, que aula é a proxima, dos documentos do carro. As formulas de fisica, os acentos, o nome do ator, o que comeu no café da manhã. É uma mente desleixada, que não faz sentido nem para si. Ela esquece o que não devia, o obvio e se lembra dos detalhes... De que foi magoada no dia 12 de Janeiro de 99, que sua tia morreu numa quinta feira e chovia. Que certo amigo gosta de maça do amor e acha estranha a palavra 'analogo'. Lembra se os olhos das pessoas são castanhos ou azuis, se vai passar um bom filme no cinema. Alguém precisa explicar-lhe, talvez se lhe derem uma aula ela entenda o que pode e não pode ser esquecido. Ela aprenda o que é ou não importante. O que vale a pena guardar e o que já tevia ter sido jogado fora há muito tempo. Porque ela anda confusa e desfuncional e eu ando com medo de falha no sistema.
postado por: Maria Anita 2:04 PM
|
 |
 |
 |
 |
Comments:
Sexta-feira, Junho 20, 2003
 |
 |
 |
 |
"Look at the stars; look how they shine for you
And everything you do
Yeah, they were all yellow" Coldplay
Hoje o aniversário da Thallita me alegrou. O dia que tinha tudo para afundar no barro, para arrastar as horas numa depressão mórbida... A lembrança de que pessoas nascem me fez sorrir. Me fez ir ao shopping e passar horas escolhendo presentes. Escolhendo carinhosamente, pensando como seriam recebidos, se seriam bem vindos, se ela ia gostar. Acordei pensando em não sair da cama, em carros se enrolando em si mesmos na estrada, em cruzes no acostamento. Quando tomei café, pus meus jeans, lembrei que a vida continuava, os anos passam para todos nós. Lembrei que temos que comemorar isso. Fui dar voltas nos corredores ar condicionados e brigar com os preços, com a vontade de comprar um grande telescópio e embrulhar. Não foi possível, mas eu tentei. Entrei na loja e olhei para ele como se fosse possível. Depois que todos os presentes estavam devidamente ensacados me voltou o apetite, comi uma trufa. Hoje à noite olhei as estrelas em homenagem especial. Não telefonei. Me debati com minha consciência. Não ligue, não ligue... Segunda feira virá e esperamos perdão por nossa pequena maldade. Não nos esquecemos, apenas adiamos. Algumas coisas vêm para nos fazer sorrir em meio à dor. Assisti filmes, lembrei da minha época de infância, ri. Estou bem agora, o céu está lindo.
Feliz aniversário, Thallita. Obrigada.
postado por: Maria Anita 9:27 PM
|
 |
 |
 |
 |
Comments:
Comments:
Quarta-feira, Junho 18, 2003
 |
 |
 |
 |
Era presa ao mundo por uma pedra. Como uma âncora, de correntes muito, muito longas. Vivia como todos, mas se a corda que a prendia a pedra se soltasse voaria como um balão. Voaria alto, para o espaço, fora da atmosfera, a caminho do nada.
Com medo do que encontraria além da camada de ozônio, ela mantinha sua pedra com cuidado. Deixava em casa e andava só o quanto seu raio permitia. Se no meio do dia lhe dava uma vontade dolorosa de levitar, de encontrar as nuvens, sentia-se segura, pois sabia que a pedra a manteria na superfície.
Era uma corda fina e frágil, mas suficiente. Ela manteria seus pés na terra por toda a vida, provavelmente. Seu medo, o que a deixava acordada a noite e não permitia que fosse sociável com estranhos. Esse medo era o pavor que tinha de mãos descuidadas que talvez cortassem o fio tênue que a mantinha no chão.
Vivia bem assim. Alguns dias eram mais difíceis que outros. Dias de sol, quando os pássaros pareciam felizes e ventava morno eram insuportáveis. Sentia nos músculos uma vontade física de se libertar. Normalmente vomitava no banheiro até que passasse. Ou se escondia embaixo da cama. Nos dias de chuva, ao contrario, nem se lembrava do universo que insistia por ela.
Foi em um dia bom que o conheceu. Era um desses tipos descuidados, cheios de sorrisos e palavras doces sem significado. Tinha um olhar que por si só fazia-a querer permanecer no mundo. Suas mãos macias a guiavam pelos dias sem esforço, fazendo até os muito difíceis suportáveis. Amava-o por sua capacidade de ser o que ela nunca seria, amava-o porque ele planejava para ambos viagens que ela nunca poderia fazer. Por causa da pedra, porque tinha medo de se soltar e não voltar nunca mais.
Possuía em si o medo do negror do espaço.
Em dia ele se mudou. Pediu para que ela viesse, que morasse com ele. Poderiam ter filhos, uma casa só deles. Ela prometeu que tentaria, sem intenção de fazer. Mas todos os dias sem ele eram dias ruins. Todos os dias sua cama não a deixava dormir e ela levitava em direção a ele. Só a pedra a manteve firme naquele tempo.
A dor, a dor, porém, não a deixava. Não a deixava comer, andar, viver. Passava as horas nos ares. E foi ficando fraca, menor. Com o correr dos ponteiros já não podia mais...comer, andar, viver.
Chamaram-no. Disseram para que viesse, pois ela estava para morrer. Já não falava mais, respirava por obrigação.
Ele veio, trazendo consigo o cheiro do mar, de flores, da saudade imensa. Ela mal pôde sorrir. Mal podia de tudo. Viu quando ele se ajoelhou ao seu lado e chorou. Ele chorou por dias, mas ela não melhorou. Nada no mundo a curaria.
Era um dia de Agosto quando ele tomou sua decisão. O sol brilhava no azul. Trouxeram-na para fora, pela primeira vez em meses. E no ato único de uma vida separaram-na da pedra que a manteve firme por anos.
Só então descobriram que ela não podia mais voar.
postado por: Maria Anita 12:53 PM
|
 |
 |
 |
 |
Comments:
Terça-feira, Junho 17, 2003
 |
 |
 |
 |
"Now lift your head up to the sky
Now you can tell apart the black from the white
We waste the time they treasured dear
My only thought is that they could be right" Travis
Pergunto-me, depois que tudo for descoberto, o que será de nós, humanos sem ilusões? Seremos crianças no primeiro Natal depois que souberam que Papai Noel não existe, que coelhinho da Páscoa não virá. O que será de nós depois que entendermos de onde viemos, se Deus está mesmo lá em cima, se existe um gene homossexual? Imagino que ficaremos todos interessados, orgulhosos e levemente tristes, no começo... Mas depois sentiremos que o desiludir de todos nossos sonhos massacra mesmo a alma. Como eu, quando o professor contou que nas Porfirias a pessoa apresenta fotossensibilidade, fluorescência vermelha nos ossos e dentes e carência de sangue. Além de um acentuado desequilíbrio neuropsicológico. Depois, sorrindo, como se ainda estivesse falando da Fosfoglico-mutase, matou crenças de uma vida inteira, destruiu sonhos cuidadosamente elaborados... Desses indivíduos, disse ele sem piedade, veio toda a lenda dos Vampiros. Quando nada mais houver para ser descoberto, quando soubermos tudo da pessoa amada, quando entendermos como é feito o chiclete e o funcionamento da maquina de xerox, seremos como eu e as Porfirias. Sem magia, sem chão. Sem vampiros para procurar em cada morcego passante. Seremos ridículos.
postado por: Maria Anita 8:05 PM
|
 |
 |
 |
 |
Comments:
Segunda-feira, Junho 16, 2003
 |
 |
 |
 |
"Life is a bitch... and sucks too."
Conhecimento Popular
Desastres vêm em três, em levas. Hoje quando acordei uma hora e meia atrasada para a palestra eu sabia que podia esperar... O dia prometia. Não tomei banho, nem café, não pus minhas lentes de contato. Deus sabe que não sou gente antes do banho e do café... inumana, não havia forma nenhuma, mas nenhuma mesmo, que eu ia forçar meus olhos (que dormiram três horas) naquelas lentes horríveis. Como previsto, afinal era segunda feira e que tinha começado como começou... Os meninos não calavam a boca. Não importava o quanto gritássemos, o quanto o que falávamos era útil, importante ou simplesmente não álgebra... eles ainda não calavam a boca. Desisti naquele momento de qualquer pretensão ao magistério. Aquela Quinta série mudou a minha vida. Quando cheguei, na hora do almoço, descobri que havia mesmo gastado mais do que podia no sábado, com sorvete e torta de morango e chocolate. Um dia os supérfluos vão me deixar na miséria. Como uma pessoa pode falir duas vezes em um mês? Meu orgulho não agüenta eu pedir dinheiro materno de novo... Mesmo que eu morra de fome, entre em crise de abstinência sem doce... esse mês eu não, absolutamente não peço mais dinheiro em casa. Existe falta de credibilidade e existe falta de credibilidade... Certas linhas não devem ser cruzadas. Depois enfrentei uma aula de Bioquímica, que, redundância das redundâncias, não passava. Para compensar o negativismo do dia escutei With or Without, no 46. Eu, que escuto música no 28 no Maximo (e reclamando que tá alto)... And you give yourself away pra lá, pra cá... vem, para fechar o dia, depois de jantar sardinha (com Omega 3, gritava a embalagem) a luz do quarto queimou. É o destino, um dia assim só podia terminar mesmo, em trevas.
postado por: Maria Anita 8:35 PM
|
 |
 |
 |
 |
Comments:
Domingo, Junho 15, 2003
 |
 |
 |
 |
"It's the end of the world as we know it and I feel fine." REM
O sol nasceu num banho de vermelho, a lua redonda ainda lá. Levantei cambaleante, ainda tonta de sono, sem saber o que havia me acordado, me posto em pé em um domingo, quando havia ido dormir tão tarde... Abri a janela, quase seis... As vacas da veterinaria faziam a festa matinal, o vento estava meio frio e eu sentia a semana começar. Meus pés descalços, a mente ainda não totalmente desperta. Olhei o sol vir a tona, primeira vez em muito tempo. Parecia um episódio do apocalipse, todas aquelas cores, as estrelas sumindo dando lugar a uma maior. Mais bonita. E eu nem estava de oculos, tudo embaçado e fora de foco e ainda assim belo. Sim, era o fim do mundo, me lembro de ter pensado. O que tinha me posto em pé eram as cornetas dos anjos, anunciando o final dos tempos, e o começo de uma nova vida...( Ninguém pode me acusar de falta de lucidez, ainda mais se acabei de sair do REM) As vacas confirmaram minhas suspeitas mugindo mais, o sol subiu e minhas pernas cansaram de me sustentar. Voltei para cama sem me preocupar com o fim da Terra, dormi até o relógio bater meio dia.
postado por: Maria Anita 9:58 PM
|
 |
 |
 |
 |
Comments:
Sábado, Junho 14, 2003
 |
 |
 |
 |
"Where the streets have no names" U2
Eles tinham um sorriso suave e olhinhos desconfiados. Eram o retrato de toda uma gente. Eram eu, com pais mais pobres, dentes menos brancos, casas menores. Eu o Gabriel chegamos lá, cheios de crachás e perguntas e somos da medicina... E eles nos respondiam com histórias, com dor e dúvidas. Com dentes que não eram tratados, segredos sobre a saúde mental de um parente querido. Um pai que sumia a noite para encher o quarto de lixo. Um senhor que perdeu o dedo por quase nada, uma diabética que precisava comer e naquele momento não podia nos atender. E nós, perdidos no mapa, com o mapa, entre ruas nunca antes vistas. Ruas sem nome, ou com uns estranhos... Da Cereja, Cabanadas, Thais, Galeno... Com meu senso de direção tonto e sem sentido, Gabriel navegava e eu dirigia... Vira a esquerda, e eu sem discutir, quase matando o motoqueiro de susto. Prende o cachorro, é difícil arrumar emprego, eu já tive malária, não sei o aniversário de fulana. Histórias de almas, pedaços, fragmentos, escorrendo por nossas mãos. Se o projeto de pesquisa vai ser útil, eu não saberia dizer, mas aqueles humildes ¿Não repara na bagunça¿ ficarão no meu peito para sempre. Aquelas casas tão limpas e eles ainda ajeitando o sofá para sentarmos. Me envergonhei do meu quarto, dos meus sapatos, unhas, do meu desleixo. Sinto agora o peso das esperanças depositadas em minhas mãos sem talento. Depois que a nona família foi visitada, com a garganta seca e a consciência limpa, paramos na sorveteria. Não porque tínhamos dinheiro, mas porque merecíamos. Cereja, pistache, chiclete, maracujá, passas e muita calda de chocolate. Não porque não estávamos quebrados e eu tinha gastado toda a gasolina, mas porque conhecemos hoje pessoas que mereciam comemoração. Naquelas ruas perdidas no nada.
Só porque foi legal a gente vai repetir: Post Conjunto com o Get Me Away
postado por: Maria Anita 8:41 PM
|
 |
 |
 |
 |
Comments:
Sexta-feira, Junho 13, 2003
 |
 |
 |
 |
" O mais importante na vida não é a situação onde estamos, mas a direção para a qual nos movemos." O.W. Holmes
Parece que parei. O tempo se suspendeu, pertence agora ao infinito. Meu corpo continua a vida, mas a alma flutua num ar morno, onde o vento sopra manso e cheio de folhas. O corpo segue mais ou menos, as vezes caí, as vezes esquece, come e dorme. A alma viaja, sem fazer nada realmente. Apenas pelo prazer de ir. O hoje e o amanha se confundiram, larguei os planos, ou eles se tornaram tudo que mais importa, ainda não decidi. A questão é que não me movo, permaneço. Não tenho mais caminhos, mais estrada para por os pés firmemente. Desandei, como os doces de antes. Do jeito que vou, não chego nunca. Sem destino, sem terra vermelha que me manche os pés. Do jeito que vou, não vou, fico. Meio perdida nas realidades paralelas do meu quarto e o além porta. Do Uberlândia e Goiânia. Do agora e o depois. E a direção em que me movo se confunde com o sussurar das folhas na janela.
postado por: Maria Anita 8:45 AM
|
 |
 |
 |
 |
Comments:
Quinta-feira, Junho 12, 2003
 |
 |
 |
 |
"I missed the good part then I realized
that I started looking and the bubble burst
I started looking for excuses" Coldplay
Nunca amei. Aliás, minto. Amei as tardes de domingo com meus avós. Ir ao cinema com meu primo e passar frio. Comer no Mcdonalds e lambrecar as mãos. Amei meus tênis All Star, meus cadarços coloridos, o violão que eu não toco. Amei meus amigos com uma paixão desavisada, meu irmão com um carinho único, meus pais com uma rebeldia disfarçada. Amei meus livros, meus cd`s, minha coleção de latinhas. Amei uma camiseta vermelha que eu tinha e uma foto antiga da família inteira junta. Amei as manchinhas brancas nos dentes que indicaram que eu tirei o aparelho, os pontos que eu levei no queixo, um anel que ganhei da minha tia. Amei o primeiro texto que escrevi apesar de ter ficado horrível. A primeira vez que andei de bicicleta sem rodinhas, meu primeiro beijo, a primeira vez que comi mousse de maracujá. Amei a árvore que havia na frente lá de casa, minha boneca Emilia, meus patins. Quando minha cadela caiu do segundo andar e sobreviveu, quando o resultado do exame deu benigno, o primeiro filme do Rei Leão. Mas nunca amei com a loucura dos namorados, dos casais que andam de mãos dadas. Nunca amei de passar a noite em claro, de chorar, de ter as mãos frias e os joelhos fracos. Nunca amei de passar a tarde pensando em certos olhos e esquecer da vida, de ter crise de ciúmes, de escolher uma roupa pensando no que ele vai achar. Nunca amei assim como dizem que se pode amar. E espero o certo sorriso que juram, fará meu coração pular. E espero e espero... E talvez, só talvez, eu espere demais...
Especialmente para todos os namorados, que amam ou já amaram, algum dia.
postado por: Maria Anita 11:21 AM
|
 |
 |
 |
 |
Comments:
Quarta-feira, Junho 11, 2003
 |
 |
 |
 |
A leitura de um bom livro é um diálogo incessante: o livro fala e a alma responde.
(André Maurois)
Na verdade, a sinopse da minha vida são os livros que li. Vieram em fases, em bando, ano por ano, verão por verão. Primeiro os infantis, que foram poucos porque passei a infancia na rua, em cima das arvores, jogando futebol com bolas de plastico e traves de tijolos. Fazendo guerras de mamonas, brincando de bete, pique esconde, montando legos, inventando histórias que não terminavam nunca. O Patinho feio, Cinderela, A bela e a fera, todos os classicos... Depois, o que marcou minha entrada em uma adolescencia escura... Poliana. Os três. Entrei então na fase Sabrina, foram mais de trezentos livrinhos desses. Um por dia, as vezes mais, dependendo das madrugadas, se muito longas, quatro por noite. Vazios e solitários aqueles tempo de adaptação. Depois o Sidney Sheldon, todos. A Agatha Cristie, metade. Até que enjoei. Enjoei dos cliches dos Júlias e Biancas, enjoei do de sempre dos hérois, das mocinhas virgens e puras... enjoei. Procurei ainda naqueles mesmos livros o diferente. Aquele que seria especial. Mas ele não chegou e os abandonei. Enjoe do Sidney Sheldon e suas formulas, da Agatha e seus mistérios. De repente, tudo ficou muito igual. Então meu gosto melhorou consideravelmente. Li os basicos da adolescencia( Feliz Ano Velho, Apanhador no Campo de Centeio, O Diario de Anne Frank) ... E antes de descobrir as maravilhas de Clarice, Machado, Drummond, Guimarães, Manoel, ainda li romances americanos açucarados. Janet Daily, quase todos. Rosamund Pilcher, dois ou três. Alguns policiais. Li Sherloc Holmes, alguma coisa. Um pouco de Paulo Coelho. E na mesma epoca descobri também Fernando Sabino, Luis Fernando Verissimo, e o Verissimo Pai, Rubem Fonseca... Os livros do vestibular...uns 50. Alguns bons, outros nem tanto. Descobri a Fangundes Telles, Meireles, Graciliano. O mundo se abriu pra mim, e ao inves de estudar para um vestibular próximo eu lia.
Passava horas no Feirão de Livro Usados, as vendedoras até sabiam os meus gostos. Eu os lia e trocava, tanto que não tenho nem 1/5 de todos os livros que li. Também entrei no mundo fantastico das biografias... Groucho Marx, Cazuza. Ainda me falta muito e sinto falta da companhia dos livros. Não do Gardner, do Moore, do Guyton. Nada de Bioquimica, MPC, Fisio... Eu quero a ficção, o mistério... O Harper me irrita, me entedia. Sinto falta dos tempos antigos, das paginas amarelecidas dos livros já lidos. Sinto falta do meu tempo Sabrina, em que eu procurava uma veia de realidade na mesma receita batida. Na criatividade sem tecnica do Sheldon, ou na mesmice da Crhistie. Sinto falta dos incriveis, aqueles livros que ficam na sua memória para sempre. Agora quase não leio mais, e minha alma fica sem perspectivas, sem espelho, sem sinopse.
postado por: Maria Anita 1:56 PM
|
 |
 |
 |
 |
Comments:
Terça-feira, Junho 10, 2003
 |
 |
 |
 |
"And the band plays on" Randy Shilts
Estranha a capacidade da vida de continuar. Pessoas morrem. O tempo todo. Tem alguém morrendo agora. Enquanto você me lê um câncer invade um figado, ossos, pulmão. Enquanto digito uma bala violou um corpo, um peito, sangue se espalhou pelo chão. Enquanto vivemos a carga viral de milhões de indivíduos se multiplica, seu sistema imunológico falece e ela definha, dolorosamente. E ainda assim, apesar de tudo, a vida continua. Doenças nascem, crianças padecem de fome e falta de cuidados. Furacões vem e vão, terremotos, dilúvios. Seu pai, mãe, avós, irmãos, se vão, seus amigos, filhos...você. E loucamente, a vida continua. Magnífica e terrivel essa capacidade da vida continuar apesar de nós.
...Post conjunto com o Blog do Gabriel , mesma frase tema, impressões diferentes de um mesmo filme (E a vida continua)
postado por: Maria Anita 12:49 PM
|
 |
 |
 |
 |
Comments:
Domingo, Junho 08, 2003
 |
 |
 |
 |
A felicidade vem de onde menos se espera. De um elogio sincero, do nada. De uma cama quente, depois do vento. De um presente, um sorriso, uma tia que a gente não vê há tempos. De descobrir o nome de uma música que você adora. Assistir aquela peça de teatro. De cair na piscina gelada e suja, comer o almoço da sua casa. A felicidade vem do pequeno. De alguém que lembrou de você. Às vezes, um unico momento faz uma vida inteira valer a pena. Uma unica certeza faz valer o esforço de ter vivido todos aqueles dias escuros. E ficamos aqui, no limbo, esperando o instante chegar... O instante que validará tudo. Que compensará as lagrimas de outrora. Como nos filmes ruins, os que você está pensando em largar para fazer outra coisa, em mudar de canal e então... então uma unica cena, uma unica frase salvará todos os outros minutos de tédio. E essa memória aquecerá todos os outros minutos que virão, te embalará na sua morte, quando você se lembrará que tudo mesmo compensou, por causa daquele instante eterno.
"Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena." Fernando Pessoa
postado por: Maria Anita 11:44 AM
|
 |
 |
 |
 |
Comments:
Quinta-feira, Junho 05, 2003
 |
 |
 |
 |
Procura-se o homem ideal
Tem que ficar sexy de calça Jean desbotada, mais que isso, ter três delas, daquelas do tempo do colegial, de quando seu all star era novo. Tem que rir de mim sem me ofender e comigo, por me entender. Tem que se esquecer do nosso aniversario, mas nunca do dia que me viu chorar. Tem que ter pesadelos e ligar pra mim. Que ficar bêbado e vulnerável. Tem que ter um habito irritante e evitar fazê-lo na minha frente. Que alugar os filmes que eu gosto e assistir mesmo achando ruim. Que me emprestar livros e fazer comentários. Tem que ser bom de abraçar e passar a mão no cabelo. Que ter um irmão bonito para eu apresentar para as amigas. Tem que não usar perfume demais e guardar com carinho a carta da primeira namorada. Tem que ter uma letra melhor que a minha e gavetas mais desorganizadas. Que saber o nome de todos os Thundercats. Tem que fazer careta quando eu falar do Brad Pitt e cara triste, quando do Kurt. Tem que ter usado Tandy Tutti Frutti pelo menos numa fase da vida e ter pulado alguns muros. Tem que me surpreender às vezes e ser previsível a maior parte do tempo. Que me ensinar algo que eu sempre quis saber e bancar meu vicio por chocolate. Tem que ter cicatrizes com historias e bons amigos. Tem que ter uma gravata ridícula e uma preta em que fique lindo. Tem que ser bom em algo que eu não sei, dobrar origames e escrever com algo rosa e ainda parecer homem. Tem que deixar a barba por fazer, às vezes. Tem que ter um segredo, para eu descobrir, e uma vida própria, para eu não me meter. Tem que ser diferente de mim, no que importa, e igual, no que não.
E, ei, uma garota pode sonhar, okay?
( com carinho especial para o Jota, que começou com o assunto)
"All I really want is some comfort
A way to get my hands untied" Alanis Morissette
postado por: Maria Anita 9:51 PM
|
 |
 |
 |
 |
Comments:
Quarta-feira, Junho 04, 2003
 |
 |
 |
 |
A matéria complexa e uma sala mais ou menos dispersa. O Impronunciável falando a nós, coração e corrente de cálcio, canais de potássio e o livro não sei qual. De repente, cansado de não ser dono de nossa atenção exclusiva, de perguntas constantes e repetidas (por que não estavam entendendo já que ele explica tão bem?), parou, olhou para nós com um olhar sério. Que tínhamos que cessar com aquela conversa, precisávamos de mais concentração, de acabar com aquela i ndisciplina intelectual... Pra mim tudo fez sentido por um momento primo, me senti como a galinha do meu chaveiro, que esperou a vida para que alguém acendesse a luz vermelha que iluminaria o seu interior... Estava ali meu diagnostico. Se me perguntarem agora, o que você tem? Qual sua moléstia? Responderei: Sofro de um caso crônico e mal resolvido de Indisciplina Intelectual. Facilmente reconhecido por uma falta de concentração para tudo que me é chato e constante, para tudo que é igual a todos. Para o que é matemático e objetivo. Para o que faz sentido, do A ao B. Sofro de um descontrole psíquico que ninguém antes havia posto em palavras para eu entender. E justo ele, o epítome do meu avesso, o físico, o organizado, lógico, facilmente categorizado...Justo ele, o Impronunciável. A ironia da vida ninguém explica... Eu e minha indisciplina intelectual (Mesmo que você não concorde, Thallita, é esse o nome da rosa)
¿ Subitamente, me dei conta de que aquela pequena ervilha, bela e azul, era a Terra. Estiquei meu polegar e fechei um olho. E meu polegar tapou completamente o planeta Terra. Eu não me senti um gigante, mas muito, muito pequeno¿ Neil Armstrong
postado por: Maria Anita 9:25 PM
|
 |
 |
 |
 |
Comments:
 |
 |
 |
 |
" The woods are lovely, dark and deep,
But I have promises to keep
And miles to go before I sleep,
And miles to go before I sleep." Robert Frost
As promessas que fiz pra mim quebrei como a uma boneca antiga. Daquelas de porcelana, com brocal rosa em volta dos olhos. Daquelas de longos cabelos caramelo, sem vida, como todo cabelo de boneca. Mas da mesma forma belo. As promessas que fiz pra mim, encobri, como a uma arvore especial em uma floresta, uma vela apagada apesar da escuridão. Agora, antes de dormir, para dormir, olho para os cadáveres dessas promessas velhas e não vejo saída a não ser enterrá-las, antes que cheirem mal.
postado por: Maria Anita 12:11 AM
|
 |
 |
 |
 |
Comments:
Terça-feira, Junho 03, 2003
Comments:
Domingo, Junho 01, 2003
 |
 |
 |
 |
Nesse domingo acordei pensando no Clodomiro. Ele tinha cabelos artificialmente loiros e uma voz afetada.Desenhava como eu sempre quis fazer. Na verdade, eu tentei. Passavamos horas tentando, naquele ano antigo. Titanic tinha acabado de entrar no cinema. As aulas eram no Bosque dos Buritis, e tudo cheirava a água e mato. Eu desenhava e desenhava, com tudo que ele pedia, o que ele quisesse... E ele sempre dizia que estava bom com cara de que não estava. Nada me deixava mais irritada do que aquela expressão. Como se ele achasse que eu não pudesse fazer melhor, então dizia que estava bom daquele jeito mesmo. Talvez eu não pudesse fazer melhor, mas definitivamente não era ele que tinha que julgar isso. Clodomiro não fez bem pra minha auto estima, mas me ensinou muitas coisas.A usar nanquim sem manchar as mãos, a pintar com giz pastel, a usar lápis de cor aquarelado e que você pode fazer melhor, apesar dos outros.
postado por: Maria Anita 2:26 PM
|
 |
 |
 |
 |
|
|