Sete Faces
Sexta-feira, Outubro 31, 2003
Adoro o Linus.
A turma do Snoopy inteira, aliás. O Charlie Brown. A Sally.
Mas o Linus.
O Linus quebra alguma coisa no meu coração.
"Linus Van Pelt inspired the term "security blanket" with his classic pose. He is the intellectual of the gang, and flabbergasts his friends with his philosophical revelations and solutions to problems. He suffers abuse from his big sister, Lucy, and the unwanted attentions of Charlie Brown's little sister, Sally. He is a paradox: despite his age, he can put life into perspective while sucking his thumb. He knows the true meaning of Christmas while continuing to believe in the Great Pumpkin."
Site Oficial
Maria Anita1:24 PM
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Quinta-feira, Outubro 30, 2003
"I'm gonna surprise them all
Because I've already moved along
Already moved along "
Semisonic
Alguns dias tem tudo para dar errado.
Nascem tortos. Frios. Prematuros.
Você acorda do lado errado da cama, com dores estranhas. Lembra que tem prova, duas, e que nem começou a estudar. Para nenhuma delas.
A primeira aula é de Patologia e você é lembrado três vezes pela professora que sua nota foi uma merda.
Que a outra está chegando e vale mais pontos.
O dia está totalmente sem perspectiva. Tudo é morno e cinza, com granulomas.
E tudo dá uma volta. Tão de repente e devagar que no inicio você não percebe.
A Thallita te chama para comer feijoada gostosa na casa dela.
A turma combina de ir ver todos juntos Matrix III e Freddy vs Jason.
Você le a materia das provas mais ou menos.
As provas são fáceis.
Você tem conversas interessantes com o Jota.
Come um sanduiche legal.
Vê um filme com mais sangue que roteiro.
Chega em casa satisfeita.
A vida é fácil.
Mesmo quando o dia começa assim, estranho.
Quinta feira. Outubro. Provas.
Mesmo assim.
Maria Anita11:26 PM
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Terça-feira, Outubro 28, 2003
"A culpa é de quem?
A culpa é de quem?"
Legião Urbana
Se a culpa não foi minha.
Se não foi sua.
De quem?
Quem acabou com tudo? Quem disse não? Quem ignorou?
Quem foi o primeiro a ferir? O primeiro a rebater? Quem?
Quem era o vilão? Quem estragou tudo?
Quem me fez assim? Quem deixou a massa desandar? Quem destrançou meu cabelo?
Quem disse que não valia a pena? Que não valia nada? Que deu conselhos ruins?
Quem traiu primeiro? Sangrou primeiro? Deixou a bola cair?
Juro que não fui eu.
Juro que fiz o que pude. Que tentei até o fim.
Entornei do veneno até a ultima gota.
Juro que telefonei. Que insisti. Que lembrei dos aniversários. Dos penteados. Das frases de carinho.
Juro que guardei comigo. Que confiei em um e desconfiei de todos. Que protegi. Que codifiquei. Que fiquei em silencio e chorei.
Juro que ainda sou um poço de segredos. Meu e dos outros.
Juro que não contei pra ninguém.
E se a culpa não foi minha, não foi sua, foi de quem?
Post conjunto com o Get Me Away
Maria Anita11:21 AM
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Domingo, Outubro 26, 2003
"Vejo o tempo em seu movimento
Me marcar a pele fundo, me impelindo, me fazendo
Logo eu que fazia girar o mundo,
Logo eu, quem diria, esperar pelos frutos
Conheço o tempo em seus disfarces, em seus círculos de horas" Adriana Calcanhoto
Hoje quando meu pai chegou de outro plantão e eu fui dar a ele meu abraço de boas vindas. Aquele abraço que é o mesmo desde que eu tinha quatro anos e ele saiu para trabalhar pela primeira vez e só voltou no outro dia. Aquele abraço tradição. Quase obrigação durante os anos rebeldes adolescentes. O abraço 'estou feliz que você está aqui´. O que eu interrompia o jogo de futebol para dar, saia do meu esconderijo no pique esconde. Hoje quando fui dar esse abraço de sempre, percebi algo muito diferente.
Ele estava cambaleante. Com a camisa aberta. Parecendo tão cansado. Segurei seu pulso e era tão pequeno. Tão frágil.
Meu pai? Frágil?
Meu pai? Pequeno?
Meu pai?
A pele de seu braço estava macia e não firme. Estava quente como sempre. Ele está envelhecendo. Diante dos meus olhos.
Acho que foi quando me dei conta.
Meu pai não é mais criança.
Eu não sou mais criança.
E agora?
Maria Anita8:15 PM
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Sábado, Outubro 25, 2003
"Será que existe alguém ou algum motivo importante
que justifique a vida ou pelo menos esse instante?" Kid Abelha
Cortei as unhas muito curtas.
Comprei plantas com a minha mãe.
Quando acordei a tarde parecia um zumbi.
Assisti ao The end of evangelion.
Chorei.
Ri.
Lembrei de Arquivo X.
Escrevi emails.
Falei do show. Do que fui e do que vou.
Tive conversas filosoficas.
Tive uma boa viagem.
Quase ganhei outro cachorro.
Não consegui puxar meu ICQ para o Lesma.
Estou esperançosa mas ainda não tenho respostas.
Maria Anita11:45 PM
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Quarta-feira, Outubro 22, 2003
"Em que dia nasceu e foi registrado o Presidente Lula? Valendo 1 milhão de reais!"
Silvio Santos
Hoje estou feliz. Absurdamente satisfeita.
Não porque a prova de patologia foi boa. Ou o filme que a gente viu particularmente inspirador.
Mas por causa do Sidney.
Pela primeira vez em muitos meses assisti ao Show do Milhão.
Ele era um brasileiro. Aposentado. Ex-gerente do Banco do Brasil.
Tinha uma carinha boa. Séria. De gente em que se pode confiar.
E que memória!
Que tipo de pessoa lê em algum lugar, no meio de uma reportagem qualquer, de uma revista com milhares de novas informações, e decora que dia nasceu e em que dia foi registrado o presidente Lula?
A maioria das pessoas não sabe do aniversario dos próprios filhos. E esse senhor sabia a data dos 2 aniversários do presidente.
E o pior, talvez ele tenha até votado no Serra.
Como fiquei orgulhosa. Como quis conhecê-lo. Eu me casaria com alguém só por ele ter lido em algum lugar o dia da porcaria do nascimento do Lula e conseguir lembrar a data, sobre pressão.
Eu teria filhos seus paridos de mim.
Deixaria que me espetassem uma agulha.
Esse post é para o Seu Sidney, que honrou toda uma nação, que ganhou um milhão de merecidos reais. Que sabia em que dia nasceu e em que dia foi registrado o presidente Lula.
Entre outras coisas.
E pra quem não sabe, o presidente Lula nasceu dia 6 e foi registrado dia 27 de Outubro.
Maria Anita11:13 PM
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Segunda-feira, Outubro 20, 2003
"These are crazy days, but they make me shine" Oasis
Os dias estão cada vez mais loucos e brilhantes.
Cada vez mais divertidos.
Cada vez menos expressionistas.
É como se tudo fosse fazendo mais sentido, como quando você lê um mistério e a cara do assassino vai se compondo com as páginas.
Como se alguém ligasse a luz e no começo doesse e seus olhos ficassem ardidos e vermelhos, mas depois... depois tudo fará sentido.
Tudo brilhará.
Você olhará seu reflexo no espelho e ele não parecerá tã ruim. Tão desconectado do mundo. Tão aéreo.
Você olhará as pessoas e elas serão companhia e não ameaça. E não dor.
Os dias estão cada vez mais loucos. Mais diferentes.
Estão melhores. Brilhantes.
Iluminados.
They make me shine.
Post conjunto com o Gabriel
Maria Anita11:16 PM
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Domingo, Outubro 19, 2003
"Hoje a meia noite começa o horário de verão" Voz do Locutor da Globo
Essas coisas que acontecem... O relógio correu. Andou mais rapido, muito mais que eu.
Um fechar de palpebras e já era uma hora da manhã.
Que poder é esse que temos de adiantar as horas?
Como fazer meu corpo burro aceitar que não é mais Meia Noite?
Como o mundo pode continuar igual quando uma hora simplesmente desapareceu?
O que é feito dessa hora sumida?
Penso que todas as horas de verão perdidas constituem uma realidade paralela, em outra dimensão.
Nesse tempo sem dono, sem lei, vazio, as pessoas guardam pequenos sonhos. Um arco iris. Três rosas vermelhas.
Guardam as almas dos suicidas. A essencia distante de Deus.
Guardam os abraços mais quentes. Toda poesia. A beleza das horas escuras.
Era sobre o tempo que perdemos aquele quadro de Dali.
Juro que era.
Maria Anita1:09 AM
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Hoje assisti as Virgens Suicidas.
Sempre fui fascinada pelas pessoas que se matam.
É a poesia.
Nunca consegui entender direito essa espécie de esperança dos suicidas.
A esperança de que o que quer que haja no além vida, é melhor do que viver.
A esperança de que as coisas vão melhorar com a morte.
Ao contrario do que se pensa, os suicidas são os mais esperançosos.
Os mais corajosos dos covardes.
Eles vão contra toda uma cadeia biologica.
Eles sentem aquele tipo de dor que a maioria das pessoas só ouviu falar.
Os suicidas são tipo especiais de pessoas. Eles dão um medo terrivel.
Ninguem lida direito com a morte.
Morrer é o maior medo humano.
Como alguem ousa querer tomar esse caminho? Segui-lo com os proprios pés?
É terrivelmente incompreensivel.
Maria Anita12:58 AM
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Quinta-feira, Outubro 16, 2003
You say it's black, but I can't believe you
And if you say it's white,
you say I'm tryin to deceive you...
Vermelho é a melhor cor.
A mais intensa, mais quente, a mais linda.
Não importa mesmo o tom. Se correndo nas veias, no céu ou na camiseta.
Se no batom, nas unhas, no cabelo.
Se na degradação, no sangue pisado, nas feridas abertas. O vermelho tira a rotina do pastel. Do pardo. Dos órgão mortos e necrosados.
O vermelho foi a boca de Eva e a maça, foi o primeiro grito, a caixa de pandora, foi o primeiro sinal.
O vermelho inventou o pecado, o sentimento, o sexo, o amor.
O vermelho inventou a felicidade, o verão, o ódio, a vingança e a guerra.
Vermelho pra matar e pra seduzir.
Vermelho pra espantar aquela tristeza infinita. A morosidade do azul. O nada do negro.
Vermelho porque é escandaloso, expansivo e feminino.
Porque todo mundo veste seus bebês de rosa.
Vermelho porque é bonito em todas as línguas.
Red, Rouge, Rubro, Encarnado.
Porque eu gosto muito do diabo daquela musica. Aquele tom debochado, aquela intenção quase machista. Porque, girls, don`t go crazy...
and I'm aware of the high and the low,
and I'd be waiting for you in the middle but I just lack control
Porque o vermelho é quase como perder o controle.
Vermelho é o primeiro giz de cera que você escolhe. É a sensação indecente de molhar o pincel no guache e manchar o papel muito branco.
É o pecado original.
Baby if you wanna get low
Oh baby if you wanna get high
It makes no sense at all
É o primeiro beijo. A primeira vaidade. A saúde.
A cor das hemorragias, das tragedias, do choque hipovolemico. Do morango. Das vidas vadias.
Das melhores musicas, os melhores filmes.
Girls, don't go crazy,
Girls, don't go crazy,
Oh girls, don't go crazy when the men use you, oh
Oh, woman hold your man tight
if it makes you feel right, it's your own life
Porque o vermelho é liberdade. A decadência. A humanidade na sua essência. É como devia-se viver. Sem medo de ser de carne. Sem querer a imortalidade. A pureza. O céu.
Porque todo mundo deveria ser de Marte, ou pisar naquela terra de fazenda e sujar o chão.
E dá vontade de gritar, cometer um crime passional e levantar as mãos toda vez que eu escuto...
I saw red, I saw red, one more sacred lover that I shot dead
(Sublime, I saw red)
Maria Anita12:20 AM
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Terça-feira, Outubro 14, 2003
"Life, don`t talk to me about life" Douglas Adam
Vida, não fale comigo sobre a vida. Afinal, do que eu sei?
Nasci no escuro, andei pouco, sou do tipo que cora. Que fala pouco. Juro que falo pouco. Ninguém acredita porque pareço não calar a boca. Mas falo pouco.
Não vejo e não ouço. O que pode falar alguém que não enxerga? Alguém tão míope. Alguém com a visão tão borrada. Alguém de pupilas tão pequenas? O que pode falar alguém com ouvido tão viciado? Com frases tão feitas?
Não fale comigo sobre a vida. Moro numa estufa. Numa bolha. Num aquário. Tenho mãos pequenas e sem sentido. Tenho unhas roídas. Tenho cabelo seco. Meu cabelo parece raiz.
Tudo que eu sei, aprendi lendo. O que sei sobre a vida? Nada.
Sou tão infantil.
Tenho joelhos enormes. E todo mundo sabe como é inútil joelhos grandes.
Tenho mais defeitos que dedos.
Tenho segredos sujos
Tenho provas.
Sou compulsiva. Guardo todas as inutilidades do mundo comigo. Tenho uma casa cheia de um nada sem fim. Tenho coleções de objetos sem nenhum tipo de valor. Tenho memórias demais.
Sou obsessiva. Tenho idéias forjadas em metais. Tenho ideais antigos. Tenho a mania de cometer os mesmos erros.
Sou psicótica. Esquizofrênica. Neurótica. Gauche. E tenho dedos tortos.
Sou quase canhota, quase negra, quase alta, quase engraçada, quase feliz.
Não fale da vida comigo, sou quase nada.
Post conjunto com o Get me away
Maria Anita10:03 PM
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Domingo, Outubro 12, 2003
"Familia, familia... almoça junto todo dia
nunca perde essa mania..." Titãs
Todas as tias juntas. E os tios tortos.
Vamos assar um pernil. Arroz com pequi.
Bora lá pra São Luiz nas férias.
E a faculdade.
Perguntas indiscretas aqui e ali.
A Emily latindo pra todo mundo.
Enfim, familia.
Maria Anita12:15 PM
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Sábado, Outubro 11, 2003
Quando a Santa Casa de Misericóridia foi desativada, ninguém sabia o que fazer com o lixo radioativo acumulado.
Goiânia (eu sei, é linda)
Eram capsulas de chumbo. Enormes. Dentro, o césio usado no tratamento radioterápico.
"A cápsula que continha cloreto de césio foi apanhada no terreno da esquina da Av Tocantins com a Paranaíba, em uma sala sem porta e sem janelas, em local de fácil acesso, e levada para o ferro velho na rua 57, nº 68, onde no dia seguinte foi aberta no quintal, por Roberto e seu amigo Wagner, possivelmente no dia 13/09/87, a golpes de marreta." Mario's Home Page
Onze pessoas morerram por contaminação direta. A luz era tão bonita, segundo eles... Tão bonita. Foi passada no rosto das crianças, dada aos amigos, aos irmãos.
As pessoas contaminadas sem saber, tomavam ônibus lotados. Até que começaram a passar mal.
As medidas necessárias foram tomadas. As consequências ninguém sabe direito ainda.
Os médicos responsáveis até bem pouco tempo cumpriam pena de meio periodo na Casa do Albergado, bem perto de onde eu moro. Eles prestam serviços comunitários e estão condenados ao ostracismo profissional.
As vitimas foram condenada os preconceito, a solidão e ao cancêr. O governo não paga pensão nem dá qualquer tipo de ajuda a essas pessoas. A população as teme como temiam os Hansenianos tempos atrás.
Carregamos a vergonha conosco.
O Materno Infantil é hospital de referencia para resolver problemas de má-formação. Culpa do Césio.
O Araujo Jorge é ótimo no tratamento do cancêr. Uma parte, é o Césio.
Não vou nem falar do super mega legal Hospital de Doenças Nucleares que temos aqui.
Suportamos calados piadas sobre como brilhamos no escuro.
Carregamos nossas vitimas sem nada falar.
A ex santa casa é hoje o centro de convenções. Ninguém toca no assunto.
Obedecemos a lei do silencio.
Os mais de 600 contaminados, ninguém sabe dizer o que foi feito deles.
Os médicos, os funcionarios, os moradores do setor.
Mais de 15 anos se passaram. Ainda estamos colhendo os resultados.
Temos mais 300 anos para esperar que o Césio se dissipe no ar.
Até lá, respirem nosso ar fresco.
PS: Quero deixar bem claro que ninguém vai ficar doente ou ser contaminado com o Césio só por visitar ou morar em Goiânia. Muito menos por entrar em contato com os doentes. Pelo menos, não mais.
Mais sobre em O Acidente Nuclear em Goiânia em:
www.energiatomica.hpg.ig.com.br/acidgoi.html
virtualbooks.terra.com.br/artigos/ Acidente_nuclear_de_Goiania01.htm
www.iis.com.br/~mporto/cesio.html
Maria Anita3:59 PM
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Quinta-feira, Outubro 09, 2003
ROXANNE
The Police
Roxanne, you don't have to put on the red light
Those days are over
You don't have to sell your body to the night
Roxanne, you don't have to wear that dress tonight
Walk the streets for money
You don't care if it's wrong or if it's right
Roxanne, you don't have to put on the red light
Roxanne, you don't have to put on the red light
Put on the red light, put on the red light
Put on the red light, put on the red light
Put on the red light, oh
I loved you since I knew ya
I wouldn't talk down to ya
I have to tell you just how I feel
I won't share you with another boy
I know my mind is made up
So put away your make up
Told you once I won't tell you again it's a bad way
Roxanne, you don't have to put on the red light
Roxanne, you don't have to put on the red light
You don't have to put on the red light
Put on the red light, put on the red light
Put on the red light, put on the red light...
Estava escutando Molin Rouge no ônibus e lendo O Retrato de Dorian Gray.
Dorian merece um post só para ele, de tão lindo.
Roxanne... Me deu vontade de dançar, de ser prostuída, de ter vivido no fim do século XIX.
De morrer de tuberculose. De pintar de novo minhas unhas de vermelho. De ser desgraçadamente bela.
Tudo em uma música.
A música do filme é uma versão de outra do The Police.
Put on the red light, put on the red light...
Que coisa mais Hilda Furacão...
Que lindo.
Maria Anita3:21 PM
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Quarta-feira, Outubro 08, 2003
"Quando o mundo vira as costas pra você...Você vira as costas para o mundo" Timão, O Rei Leão.
Eu gosto de Rei Leão.
Tudo bem, gosto muito de Rei Leão.
Passei na Siciliano outro dia e estava passando o filme. Só para crianças, o que é um absurdo. Só tinha aquelas pequenas cadeirinhas de plastico em que não cabia nem o meu pé, que dirá a minha bunda.
Não que eu precisasse ver de novo, pela 37 vez, mas não ia doer.
Gosto de Rei Leão por todos os motivos errados.
Não tem nada a ver sobre como é um clássico, como todo mundo chorou quando o Mufasa morreu, os gráficos são lindos ou as músicas do Elton John.
Gosto porque me lembra a Danila.
Porque me fez mascar mais de uma caixa de chicletes para completar o album de figurinha.
Porque eu adoro a cara aborrecida do Scar quando ele diz: A vida não é justa, não é?
Porque sempre me lembra que não se pode fugir pra sempre.
Porque Hakuna Matata, é viscoso mais é gostoso.
Porque me lembra um tempo em que ficavamos com as pernas pra cima, inventando histórias de reis passados, moedas Pindamonhagabadeopstocoelicalde, que era a maior palavra do mundo e falavamos sem piscar. Sobre vilões que perdiam sempre e ainda assim eram hilários. Sobre amor.
Gosto de Rei Leão porque ele mesmo se resume.
E o que mais você quer: Que eu me fantasie e dance a Hula?
Maria Anita12:11 PM
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Domingo, Outubro 05, 2003
"In the beginning the Universe was created. This has made a lot
of people very angry and been widely regarded as a bad move."
---Douglas Adams
Fomos criados. Boa idéia?
Os vermes são muito mais interessantes que nós, Dra Sibila que o diga.
Foi uma prova boa. Muito melhor do que a de Patologia.
Dai minha grande conclusão. Os Helmintos são muito mais legais.
Não tem crise de consciencia por serem parasitas. Por causarem anemia. Por chuparem todo o sangue de uma vitima indefesa.
Transformam a pele da vitima em pele de elefante. Inflam órgãos vitais. E nem suam.
São um pouco feios (tudo bem, muito feios).
Mas não inventaram o espelho. Usam e abusam do quimiotropismo.
Vivem bem. Nosso pobre sistema imune não mata nem uma lombriga.
Acho que estamos todos enganados. Deus fez os vermes a sua imagem e semelhança, não nós.
Assim seja.
Maria Anita2:23 PM
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"Do you love me (Do you love me)
Now that I can dance" Berry Gordy Jr
Sempre me chateou que o amor tivesse que ser tão condicional. Que as pessoas sempre tivessem que provar as outras que eram boas o suficiente. Que sabiam o bastante. Que eram engraçadas. Boas de futebol. Que tivessem carro. E assim, serem amadas.
Essa noção de que alguém vai te amar se seus seios forem grandes, o quarto arrumado, as notas boas. Que você vai ter aprovação de seus pais, seus amigos, irmãos, vizinhos... Se souber dançar. Pintar. Escrever, nadar.
Quando li Evangelion, foi um dos aspectos que mais me chamou atenção.
Os personagens se questionavam muito o porquê. Porque eles pilotavam o Eva? Porque corriam aquele tipo de risco? Se expunham aquele tipo de dor?
E a resposta era sempre a mesma.
Para serem amados. Aceitos. Conhecidos. Para não serem ilhas.
Shinji se pergunta certa hora: "Por quem estou fazendo isso?"
Por quem estamos fazendo isso?
Quem estamos querendo agradar? Quem precisamos que nos ame?
E o mais importante, porque não podem nos aceitar como somos? Sem saber dançar, com uma risada que parece um soluço, como já disse o Russo. Sem pilotar o Eva. Sem ser mais especial do que o proximo e ainda assim, únicos.
Cansei dos que pedem mais do que podemos dar.
Cansei daquelas expectativas tão altas.
Cansei.
Maria Anita1:40 PM
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Sexta-feira, Outubro 03, 2003
"Não é tão ruim assim
Não é de todo mau
Quando me corto sem querer
É bom pra me lembrar
Que todo esse sangue
Que vejo por aí
Está por aqui também"
(O Prato do Dia - Pato Fu)
Fui doar sangue ontem. Como meu profundo medo de agulhas já é de conhecimento geral creio não ser surpresa pra ninguém que precisava de apoio moral. Costumava ser o Diego, ou meu irmão. Ontem foi o Gabriel que segurou minha mão e riu da minha cara e disse que ia ficar tudo bem.
Depois de responder as perguntinhas indiscretas do médico, comer, pesar, picar o dedo como num pacto de morte, chega a hora.
Estava indo tudo bem, até que o sangue simplesmente parou de correr. Veia traidora, coagulou rapido demais. Por maior que fosse o esforço das enfermeiras o sangue não quis cooperar. Não ia sair e não ia. Não completou uma bolsa inteira.
Meu braço ficou roxo a toa, agulhas, a toa. Como da outra vez.
Mesmo assim me chamaram pra voltar lá daqui a 15 dias, tentar de novo, quem sabe no outro braço dessa vez.
A enfermeira disse que era psicologico, fazendo aquela cara de entendida. Disse que eu controlava meu sangue com a mente.
Eu não controlo nem minha mente com a mente, que dirá o sangue...
E pra que eu ia querer manter ele circulando dentro dos vasos? Por que coagular rapido demais?
Mas como era bonito. Vermelho vinho. Andando pelos mesmos caminhos sem nunca se cansar. Nunca.
Post conjunto excepcionalmente hoje. Para versão do Gabriel, aqui.
Maria Anita1:33 PM
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Quarta-feira, Outubro 01, 2003
"What would you ask if you had just one question" Joan Osborn
Prova de patologia.
Se eu tivesse uma pergunta, só uma...
Se eu tivesse uma resposta certa, uma unica oportunidade...
Se Deus viesse dos céus especialmente para me dizer...
Seria com certeza...
Por que prostata? Porque não queloide? Ou antracose?
Prostata?
Por que, meu deus?
Maria Anita5:03 PM
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