Sete Faces



Sábado, Dezembro 27, 2003






Maria Anita10:31 PM Comments:


" Cento e dez
Cento e vinte
Cento e sessenta
Só pra ver até quando
O motor aguenta
Na boca, em vez de um beijo,
Um chiclet de menta
E a sombra de um sorriso que eu deixei
Numa das curvas da highway "
Engenheiros do Hawaii

Na verdade não é uma Highway, é a belém brasilia. É o 206 preto do meu pai. É São Luis com a minha familia.

É praia, meninos, praia.

Até a volta.

Feliz ano novo pra vocês, amanhã eu tô na estrada.

Sei lá que dia vou poder postar, mas o de terça tento garantir.

Dia 15 tô aí.

Maria Anita10:28 PM Comments:
Sexta-feira, Dezembro 26, 2003


"Sam: Eu sei. Está tudo errado. Por certo nós não deviamos nem estar aqui. Mas nós estamos.É como nas grandes histórias, Mr. Frodo. Aquelas que realmente importam. Elas são cheias de escuridão e perigo. E algumas vezes você não quer saber o final. Porque, como o final poderia ser feliz? Com poderia o mundo voltar ao jeito que era quando tanto mal aconteceu?

Mas no final é só uma coisa passageira, essa sombra. Até a escuridão deve passar. Um novo dia virá. E quando o sol brilhar ele brilhará ainda mais claro.Essas são as histórias que ficam com você. Que significam alguma coisa, mesmo você sendo muito pequeno para entender porque. Mas eu acho, Mr. Frodo, que entendo porque. Agora eu entendo. As pessoas nessas histórias tiveram muitas chances de voltar, de desistir, mas não fizeram. Eles continuaram porque eles tinham esperança em alguma coisa.

Frodo: Nós temos esperança em que, Sam?

Sam: Existe bem nesse mundo, Mr. Frodo. E vale a pena lutar por ele.

(The Lord of the rings, The two towers)
"




Esse diálogo em Senhor do Anéis, as duas torres, para mim é o melhor de toda a Trilogia. A verdade nas palavras de Sam são incontestéveis e me deram esperanças. Porque é uma duvida recorrente minha... Podemos voltar ao que eramos depois de todo mal?

Será que podemos?

Eu queria muito acreditar que sim.

Que o tempo cura as cicatrizes mais profundas.

Que depois da sombra o sol raiará, ainda mais brilhante.

Feliz 2004 para todos nós.

Maria Anita9:49 AM Comments:
Terça-feira, Dezembro 23, 2003


Querido Papai Noel,

Fui uma boa menina esse ano. Mesmo. Acho que saí daquela apatia que discutimos o ano passado. Cometi menos erros brutais. Esse ano, me saí melhor, deve ter sido o treino.

Creio que fui boa o suficiente para pedir aquela viagem para Guarapari e para o Peru. Para pedir uma calça nova da Triton. Um palm top. Um novo som para o Tobby. Boa o suficiente para ganhar óculos escuros da Calvin K. Um DVD player. As cinco temporadas de Arquivo X.

Mas o que eu queria mesmo, o que me deixaria realmente feliz, não só alegre durante algum tempo... Feliz mesmo. Com aquele sorriso que não se apaga, os olhos brilhantes. Feliz de parecer radiante, como uma estrela, ou sei lá, uma luz do poste. O que me deixaria realmente feliz eu não fui boa o suficiente para ganhar. Acho que nem se eu tivesse sido a Madre Teresa. E o senhor sabe que não cheguei nem perto da madre Teresa e tudo.

O que eu queria mesmo era que o tempo parasse um pouco e o tic tac do relógio não soasse tão alto. Ando assustada com o tempo, Papai Noel, assim como o Capitão Gancho tinha medo do despertador, porque ele anunciava que o imenso crocodilo estava chegando. O tempo pra mim anuncia a chegada dos crocodilos. Tenho medo de quem o crocodilo das horas vai levar esse ano.

Queria um pouco mais de determinação. Um pouco mais de coragem. Até o leão medroso mereceu um pouco mais de coragem do Mágico de Oz. Mas, você vê, o Leão Medroso foi suficientemente bom. Eu, como já discutimos, não tenho gabarito para pedir coragem também.

Eu queria mais sorrisos. Não em mim, até que estou bem... Mas quando olho para os lados vejo sorrisos suficientes faltando. Mas sorrisos também exigem mais bondade do que fui capaz esse ano.

O que eu queria mesmo, Papai Noel, é que certas coisas magoassem menos. Que meu coração fosse um alvo menor, como o do Grinch. O que eu queria neste natal era uma carapaça mais forte ou flechas menos ásperas.

Querido Noel, como você viu, não fui uma menina suficiente boa para ter nada do que quero mesmo, então, vou me contentar com aquele DVD player de que falamos.

Muitos Beijos,

Maria Anita.

Moradora do quarto numero 3, na rua 13, em cima da Colina, casa rosa, numero 4. Goiânia-GO.


Post Conjunto com o Getme away

PS: O lesma está sem teclado, então meus e-mail estão atrasados e os comentários que eu queria ter feito tiveram que ser adiados. Vou ver se dou um jeito amanha, porque esse post foi complicado de fazer sem teclado, Papai Noel sabe.


Maria Anita7:28 PM Comments:
Domingo, Dezembro 21, 2003


"O que eu percebi é que a ferramenta da qual eu aprendi a depender absolutamente ( a medicina), não pode me salvar nem me proteger" Scully, em Redux


Descobri, quando entrei na faculdade, que daria uma péssima Scully. A patologia destruiu algo em mim, algo de puro e inocente que eu tinha. A patologia mata nossos sonhos de imortalidade e beleza. A Patologia é uma profissão difícil, um carma. Você carrega como uma cruz.

E como é pesada.

É terrível para qualquer ser humano ter de lidar com a morte daquela forma. E o que posso dizer, alguém tem que fazer o trabalho sujo. Não estou falando só de trabalhos como o da Scully, fazendo autopsias policiais. Estou falando de um trabalho essencial, diário, que é a verificação de laminas. Você sabe que ali está um pequeno pedaço de um paciente. Sabe que tem algo errado. A vida dele está nas suas mãos. Você que vai dizer se é uma Neo ou uma Displasia. Se é benigno ou maligno. Se ele vai ou não morrer dali a três meses.

É uma piada recorrente que os pacientes dos patologistas estão mortos e não voltam pra reclamar. Que patologista tem medo de paciente vivo. Que são anti-sociais e fúnebres. Minhas professoras eram legais. O que ninguém pode negar eram as imensas muralhas que construíram para se defender daquela profissão desgastante.

A Pá e seu humor único. A Tânia e seu distanciamento. Tudo proteção contra o tumor diário. Contra aquele cheiro de morte que contamina todas as paredes. Contra o sangue, os corpos. Contra as autopsias.

Adorei quando descobri o significado de autopsia (formado de auto, próprio + opsis, ação de ver + sufixo ¿ia), algo como ver a si próprio, ver com os próprios olhos. E, posso de dizer, não é uma visão bonita. Alguns chamam de necropsia porque parece menos assustador. Ver o morto. Algo assim. Mas autopsia parece mais verdadeiro.

A primeira que assisti era da D. Laura. 80 anos. As unhas do pé pintadas de uma cor que a morte indefiniu. O cheiro da morte dela eu carrego comigo. Desmaiei. Minha incapacidade Scullyana só ficou mais obvia.

Na UFU tem mais vagas que gente querendo a residência de Patologia. E é um trabalho de suma importância, interessante, útil. Até dá dinheiro. O problema é que a bagagem emocional é intolerável, e o dano ao nosso sistema se assemelha a um câncer. Corroí devagar, suga nossa energia.

A morte estressa.

Já quis ser patologista. Respeito essa classe tão única de forma declarada. Acho que são heróis. Mas esse semestre tendo aulas, não foi nem fazendo tudo com minhas próprias mãos, já foi suficientemente desgastante.

Não quero isso pra mim por nada no mundo.


PS: Estou de FÉRIAS, este post foi só pra tirar Patologia do meu sistema e começar meu descanso em paz.


Maria Anita8:46 AM Comments:
Terça-feira, Dezembro 16, 2003


"'Cuz now it's Christmas
And I want everything
I just can't wait
Christmas
So don't stop spending
I want a million gifts, that's right "
** Simple Plan

Então é Natal. Depois que descobri que não era Papai Noel que me trazia presentes todo ano, que todas as cartas que escrevi e enviei não chegaram no Pólo Norte, que nenhuma rena voadora percorria os céus deixando crianças felizes, depois que descobri que grande fraude consumista aquela noite era, nunca mais o Natal foi meu feriado predileto. Eu já estava de férias, ganhava meus presentes todos antes, meu pai costumava estar trabalhando e minha mãe nunca foi das mais fãs de comemorar nada sozinha.

Depois dos 10 anos acho que consigo contar em uma mão os natais realmente bons. Mudei para o ano novo. Nada como o reveillon para te alegrar, especialmente depois do natal. É o melhor feriado, a melhor festa. Mesmo sem presentes.

Mas esse ano quero que tudo mude. Esse ano o Natal vai ser maravilhoso, espetacular. Esse ano não vou escolher meu presente, vou deixar que escolham para mim, embrulhem e coloquem debaixo da arvore. Vou passar o dia no shopping, comprando para os outros, um a um. Vou ligar para minha família inteira e chamar para comer peru e uva passas. Para tomar vinho e acender todas as luzes.

Esse ano Papai Noel virá de novo. Não quero nem saber.


Post Conjunto com o Get me away

** "Porque agora é natal
E eu quero tudo, não posso esperar
Natal
Então não pare de gastar, porque eu
quero um milhão de presentes, já é certo"

Maria Anita1:17 PM Comments:
Domingo, Dezembro 14, 2003


"Ele não queria uma filha por causa dos homens. Por causa dos homens maus, certamente: Mas até mesmo dos homens como eu, pensava"
John Irving, O mundo Segundo Garp


Eu precisava contar coisas a vocês.

Contar sobre o Sadam que foi preso e parecia tão, tão cansado. Tão humano.

Contar sobre o show do Capital ontem.

Sobre o Irmão Urso e Sobre meninos e lobos.

Precisava contar sobre o Matheus, que veio fazer prova.

E a Thanilinha e a Danila e o Murilo que vieram junto.

Precisava contar da prova de patologia, que se aproxima. Do picolé de cagaita.

Precisava contar que minha mãe passou o sabado sozinha em uma casa muito, muito grande. Com mais quartos e banheiros do que ela tem dedos nas mãos.
Uma casa que faz ecos no escuro e o relógio toca como uma sentença final.

Mas tudo teve de ser adiado por causa das Meninas Violentadas.

Incrivel a quantidade de gente que entre nesse site procurando fotos de mulheres, crianças, meninas, pessoas violentadas. No começo eu quis acreditar que era para uma pesquisa, algum trabalho... mas agora não dá mais.

A cada dez pessoas, no minimo uma veio do google procurando fotos de estupro.

Eu fico triste e não sei bem o que fazer.

Só não sei.

Maria Anita12:51 PM Comments:
Quinta-feira, Dezembro 11, 2003


Respondendo a Dani:

A gente reveza na escolha do Post Conjunto. Cada semana é um. Normalmente deixamos tudo pra ultima hora e só segunda feira a noite é que ficamos sabendo sobre o que vamos falar. As regras ainda valem, não pode ler o que o outro escreveu antes de escrever a sua versão. Não vale reclamar da citação escolhida. Essa semana quem escolheu fui eu, a próxima é do Gabriel.

Respondendo a Camila:

Scully teve câncer na quarta temporada. Chorei horrores, como se estivesse perdendo uma grande amiga ou algo assim. Essa foto sempre me lembra a solidão indefinível de quem na sabe como agir.





Maria Anita11:40 PM Comments:





Maria Anita12:49 AM Comments:


"Sometimes I think it would be easier to avoid old age, to die young, but then you'd never complete your life, would you? You'd never wholly know yourself. "*
Marilyn Monroe

* Algumas vezes eu penso que seria mais fácil evitar a velhice, morrer jovem, mas então, você nunca completaria a sua vida, não é? Você nunca iria completamente entender a si próprio *


A aula de Patologia hoje foi terrível.

Câncer do Sistema Nervoso. Aqueles mais escabrosos, mais estranhos. As fotos mais tristes. As mortes mais dolorosas.

Dentes em ovários. Cabelo. Diferentes graus de malignidades.

Depois a Tânia, nossa professora, veio me falar que somos frágeis.

Eu sabia que somos frágeis. Eu sabia que somos carne. Eu desmaiei no meio de uma autopsia.

Hoje, entrando na Patologia, um caixão saia, estava sendo posto dentro do carro funerario. Achei que não podia ser um bom omen.

Fiquei imaginando as estranhas doenças que podemos ter. Todos os tipos, das mais inimagináveis. Podem estar crescendo em nós agora, ao lado do oitavo par craniano. Pode estar crescendo na sua mãe, no seu irmão. Você pode ter que lidar com isso a qualquer momento e o pior, ser absolutamente incapaz de deter seja lá o que for.

Coisas ruins acontecem. E acho que a moral de hoje, lá na primeira fila daquele laboratório quente, com um cheiro levemente desagradavel de formol, a moral de hoje foi que somos frágeis.

Mas infinitamente capazes de suportar.

É o que quero acreditar agora. Que as pessoas seguem em frente. Que perdoam. Que esquecem. Quero acreditar que é possivel ser forte e ter pequenos momentos de felicidade no meio da dor.

Quero acreditar que é possivel superar as piores coisas. Um estupro. A morte de um filho. Um PNET.

Não quero dizer que depois de todo mal as coisas podem voltar a ser as mesmas e isso foi algo que aprendi. Depois que as coisas ruins acontecem nada nunca pode voltar a ser o que era. A inocencia que se perde não se tem de volta nunca mais. Os PNETs matam. As violações machucam. E os mortos estão perdidos a nós.

Não se pode ser feliz para sempre depois de ser comido pelo lobo mal.

No que quero acreditar é que ainda se pode ser feliz, ainda há motivo para acordar todo dia e enfrentar o mundo.

Que vale a pena, seja lá o que for.

E as miudezas que se danem, estamos vivos, mesmo sendo frágeis.

Maria Anita12:32 AM Comments:
Terça-feira, Dezembro 09, 2003


"Ainda não são conhecidas a intensidade e a frequencia das reações adversas" Bula do Cloreto de Benzalcônio

O problema das reações adversas é que nada se sabe delas.

Não se sabe nem se virão.

Mas e o medo? E aquela suspeita, aquele olhar pelas costas no meio da noite? E aqueles passos que todos juram que escutaram? A sensação incomoda de que olhos estranhos nos espreitam?

São as reações adversas.

Todos nossos atos. Nossas palavras. O bater da asa de uma borboleta rara no Japão.

Seus passos na praia. Um não que você diz. O tênis que esqueceu de amarrar. O cinto que deixou de por.

Um dia que acorda atrasado. Um garoto que beijou.

O bem que tentamos fazer. Um julgamento fora de hora.

Sempre as reações adversas nos perseguem. Atormentam. Tentam voltar-se contra nos.

Cuidado.


Post Conjunto com o Get me Away



Maria Anita11:24 AM Comments:
Sábado, Dezembro 06, 2003


"Parabens pra você
Nesta data querida..."


Hoje fiquei por conta de presentes.

Comprei. Embrulhei. Fiz carinhas nas caixas.

Liguei para um monte de primos e amigos que fazia tempo eu não ligava.

Hoje eu deixei meus livros de lado.

Nem preocupei com a Giardia.

Natal está chegando. Quando eu penso que é dezembro mal acredito.

Sempre entro no Cliche... Passou tão rápido!

Voou.

Já está acabando.

E agora?

Parabens para todos os meus queridos que fazem aniversário agora.

Beijos.

Maria Anita3:47 PM Comments:
Terça-feira, Dezembro 02, 2003


"I`m going out for a little drive
it could be the last time you see me alive
there could be an idiot on the road
the only kick in life is pumping his steel

they wrap me up in the back of the trunk
packed with foam and blind drunk
they won't ever take me alive
cause they all drive killer cars"


Radiohead


Carros sao maquinas loucas e lindas. Elas tem vida própria, como a ameba que o Jota desenhou outro dia.

Tobias, meu filho, um Clio temperamental, é a prova vermelha e concreta do que eu digo.

Vários motoqueiros já tentaram se matar na frente de sua lataria. Cachorros duvidaram da precisão de suas rodas.

Eu sigo inocente. O que fazer quando seus olhos luminosos alcançam onde os nossos não podem ir?

Dirigir é muito bom.

É como ser livre por um instante num mundo que te prende a terra.

É ser veloz. Perigoso.

Dirigir é ter poder sobre a própria vida e a dor outros.

Dirigir está entre as 10 mais, coisas que todo mundo tinha que saber na vida.

O problema de dirigir não somos nós, são os carros, esses loucos...



Post Conjunto com o GET ME AWAY

Maria Anita11:40 PM Comments:
Segunda-feira, Dezembro 01, 2003


O Blogger está muito ruim.

Muito ruim mesmo.

Sempre ocupado, nunca tem tempo pra mim.

Está sempre cansado, com dor de cabeça.

Não quer trabalhar. Faz uma semana que toda vez que me vê me ignora.

Quer saber, quero o divórcio.

Maria Anita6:41 PM Comments:
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"





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