Sete Faces



Quarta-feira, Junho 30, 2004


"So maybe tomorrow
I'll find my way home"

(Maybe tomorrow - Stereophonics)


Não tenho mais medo dos vinte anos.

Não, não tenho.

É minha nova aurora.

Que venha.

Tenho que começar com o pé direito essa década. É a terceira vez que começo uma, e todo mundo sabe que a terceira é a certeira, nada pode dar errado.

Sinto-me contente.Uma contenteza com gosto de merengue de morango. Com gosto de suspiro e churrasco.

Logo chegarei em casa. Como será, não sei.

Alguns estresses extras Outros diminuídos.

Curitiba chegando rápido.

Minha casa é ali na esquinha. Minha casa é onde encontro paz.

Estou chegando lá cada vez com mais freqüência.

Quero festa esse fim de semana. Quero com direito a sinuca e danças em família. Com direito a vizinhos vindo reclamar. Quero meus presentes. Meus sorrisos. Quero que todos dêem boas vindas a minha nova década, porque estou em casa. E não seria casa sem cada um dos meus queridos.

Muito obrigada.

Post conjunto com o Get me away

PS: Feliz aniversário para o Léo, dia 28.
PS II: E para Lisinha, dia 30.

Parabéns, meus queridos.


Adendo:

Sobre o ultimo post, ninguém morreu. Era um conto triste, mais mesmo representativo das pessoas que a gente deixa pra lá sem querer.

E para um misterioso CS: sim, era a Melissa.

Maria Anita12:17 AM Comments:
Sábado, Junho 26, 2004


Pequenos Adeuses



Às vezes, à noite, você consegue sentir o cheiro dela no quarto. Como quando ela ainda dormia na cama paralela a sua, sempre de costas, olhando para o teto.

Sem se esforçar, quase por acaso, você ouve uma frase com a voz dela. Aquele som feminino, agudo e belo. Sem querer.

Ao acordar, você abre os olhos rápido para tentar ver de relance seu cabelos louros. Seus olhos castanhos e grandes. E falha.

Quando você se permite lembrar dela, você nunca a vê. É sempre aquela impressão delicada das mãos dela trançando seu cabelo. Uma risada alta e estranha. Perfume de frutas.

Quando você se permite lembrar dela, tira do alto do guarda roupas uma pasta verde com todas as cartas que ela te mandou. Com um medalhão wicca que ela te deu. Com a rosa dos ventos que ela usava. Segura-os com cuidado. Não chora. Você tenta acreditar que qualquer dia o correio trará outra daquelas. Com a letra bonita e redonda. Com um aroma enjoativo de incenso.

Nos dias ruins você lembra quanto tempo perdeu. Como você realmente a tratou. Como deu pouco valor a suas histórias, aos seus cartões. Como nunca prestava muita atenção nos infernos astrais que ela dizia estar ou nas vibrações negras que ela sentia em você.

Agora, você daria tudo por mais um minuto. Por mais uma chance de ouvi-la. De aprender com seus conselhos. De abraçá-la, como quando você era criança e vocês esperavam papai chegar do mar.

Agora, você sabe o valor daquele tempo. Agora, não adianta nada saber.

Você sente falta dela e seu peito dói e você chora. Às vezes, quando a saudade é muita, você liga para sua mãe e pede que ela conte uma história. A sua predileta é sobre o tempo em que vocês estavam na Argentina e ela ficou perdida. E a família inteira a procurou e no final ela que se achou sozinha.

Porque era assim, sua irmã. Ela se achava sozinha.

Às vezes você sente que será massacrada pela culpa e pelo ódio, mas no fim reconhece que era a falta dela que doía sem cessar.

Ela que passara o batom em sua boca pela primeira vez. Que dissera sobre homens e diafragmas. Era ela que sabia de esmaltes e rendas e romances. Na época não dera valor. Na época estava tentando ser médica e filha perfeita. Estava tentando ser amante do professor, melhor aluna da sala, ser forte. Estava tentando ser dura e áspera e se esquecera da menina que lia contos de fada embaixo dos lençóis, para que ninguém percebesse.


Agora, você quer de volta sua irmã. Quer que ela segure sua mão, diga que ficará tudo bem. Conte como os planetas estavam alinhados para que o destino seguisse seu curso. Quer de volta aquele tipo de solidariedade feminina.

Agora você está irremediavelmente sozinha sem ela. Agora o que resta é a imagem de seu sangue e seu corpo frio no chão de seu apartamento. Uma imagem que nunca te abandonará. Nunca.

Às vezes, de madrugada, você sente que ela te fala. Que conta as pequenas fofocas do além, como fazia quando era viva e você não ligou. Você não percebeu como gostava de ouvir falar da ultima namorada do Lucas e de que papai e mamãe brigaram.

Antes as pequenas histórias atrapalhavam você ler sobre Ciências, História e o Corpo Humano. Antes você não prestava atenção nas lágrimas dela, quando ela dizia que iria embora um dia, encontrar seu destino. Encontrar a paz.

Você não a defendia quando papai criticava suas roupas e seus cabelos. Criticava sua maquiagem e seus namorados. Você observava e tomava cuidado para não fazer igual. Você era jovem e estúpida. Você devia ter tomado mais cuidado.

Hoje você chora inutilmente sabendo que nunca a terá de volta. Nunca poderá pedir desculpas e recuperar o tempo perdido. Nunca mais.

Ela nunca mais voltará e esse pensamento te mantém acordada nas noites frias.

É a dor que nunca esmorece. Nunca.

E você se contenta em passar a vida tentando se livrar desses pequenos adeuses diários.



-----

Pelas pessoas que perdemos sem aproveitar.

Maria Anita7:22 PM Comments:
Terça-feira, Junho 22, 2004


"The demolition still can be a lot of fun
Someone should tell me that I'm done
I feel so far away from home
Always so far away
"
Grandaddy


A destruição é um meio válido de liberdade.

A destruição completa de nossos ideais perfeitos.A destruição do mundo como ele devia ser. A destruição dos preceitos que nos puseram sem que permitíssemos.

A destruição é necessária. Nascemos embalados nos defeitos do próximo. Sem destruição, não há melhoras. Não há avanço. Não há amor.

Algumas coisas não merecem nem serem recicladas. Algumas coisas deviam morrer quebradas mesmo. Tiradas de nós.

Eu queria apenas que houvesse alguém no mundo que me dissesse quando parar. Quando parar de destruir, de jogar no barro minhas idéias pré estabelecidas, meus conceitos seguros, meu mundo assim preto e branco mesmo. Quando é hora de parar de demolir os muros?

Os muros, eu noto agora, às vezes são necessários. Tão necessários quanto as pontes.

Me sinto tão longe de casa. Eu quero minha mãe, meu irmão, minhas cadelas e meu novo DVD. Eu quero meu pai, minha cama, meu computador, minha infancia. Quero meu mundo antes de começar a destruir tudo.

Meu aniversario vem chegando. Não passou, meus queridos, virá, assustadoramente. Dia primeiro. Ainda não cheguei nesse estado de esquizofrenia e comecei a me dividir em personalidades meióticas.

Apesar de até ser uma boa idéia.

Sinto falta da minha casa. Esse final de período estou ansiosa. Ansiosa pelo mundo. Pelo tempo. Não cansada, mas com pressa.

Que tudo chegue logo. Que venha Julho, que é sempre minha estréia no mundo. A cada ano. A cada aniversário.

Quero minha casa de novo, para que me digam que é hora de parar de destruir, é hora de voltar para as verdades soldadas. E quando tudo for seguro como antes, terei forças para começar a demolir de novo.


www.GETMEAWAY.weblogger.com.br


Maria Anita11:32 PM Comments:
Segunda-feira, Junho 21, 2004


Então, fia, feliz aniversário.





Maria Anita1:13 AM Comments:
Terça-feira, Junho 15, 2004


"We will go our way
We will leave some day
Your hand in my hand
We will make our plan
We will fly so high
Tell all our friends goodbye
We will start like new
This is what we'll do"

(Go West - Pet Shop Boys)


Queria empacotar minhas coisas e fugir pro norte. Colocaria as coisas que importam, uns abraços, umas fotos, coca cola, chocolate, livros, meu disc man, meus cd`s.
Colocaria minhas lembranças, meu passado pesado, meus tenis, minhas roupas. Colocaria minhas certezas. Um Tic Tac laranja. Nada mais.

Lá, no tal norte, construiria uma casinha na praia. Ou na beira de um rio. Ou em uma fazenda isolada das coisas. Sem Tv ou internet, porque se eu quisesse teria trazido meus Toshibas junto com os Tic Tac.

Deixei pra tras até minha maquina de fotos. Desnecessaria porque minha memória se espandiu e agora guada tudo.

Ainda vou ser eu e conversarei pouco. Eu e minha mania estupida de falar de menos.

Jogarei cartas com andarilhos loucos.

Não serei feliz nem triste, apenas estarei no limbo que é o norte.

E um belo dia de sol, onde a paisagem será mais fantastica do que qualquer um imaginou, eu me lembrarei.

Tinha de ter ido para o Oeste. Devia ter seguido acompanhada. Devia ter segurado mais forte nos dedos amigos.

Devia ter ido contra o vento, com os pés na aridez. Devia ter seguido o caminho dificil da verdade e da franqueza.

Devia ter sido forte.

O norte é fácil. Meu caminho, perceberei, é o oeste onde eu nasci e agora deixo devagar.

Verei que tenho de voltar. Que é preciso abandonar a Hakuna Matata.

E então, no Oeste, aquele que é sempre velho em qualquer lugar, começarei de novo, finalmente.

Mas não do zero porque o que eu conquistei nunca me deixará.



Post Conjunto com o Get me away





Maria Anita2:05 AM Comments:
Sexta-feira, Junho 11, 2004


"Jogos de computador não afetam crianças. Se o Pac-man tivesse nos afetado quando éramos crianças, hoje em dia estaríamos todos badalando por salas escuras, engolindo pílulas mágicas e escutando músicas eletrônicas repetitivas..."


(Não sei de quem)






Maria Anita6:13 PM Comments:
Quarta-feira, Junho 09, 2004


"believe, believe in me, believe
that life can change, that you're not stuck in vain
we're not the same, we're different tonight
tonight, so bright"
Smashing Pumpkins, tonight, tonight

Estranho perceber como minha vida mudou tanto e eu nem vi.

Mudou nos sentidos mais básicos. Mais essenciais. Mudou na minha forma de ver o mundo.

De ver as pessoas. De encarar minha imagem. Meus defeitos. Tudo o que posso e não fazer.

Eu sempre tive a impressão que a vida fosse só um momento infinito. Que não passavamos.

Nunca consegui notar meus pequenos passos. Creio porque tenho medo dá vertigem. Tenho medo de olhar pela janela e ver as árvores passando rápido e então, de repente, perceberei que não sou mais como era antes.

No livro de Alice, no seu país das Maravilhas, ela sempre cita isso muito bem. Ela sempre reflete no fato que não é agora como era de manhã.

Eu não sou a mesma de ontem. Quando dormi, algo em mim se modificou para sempre.

Para sempre.

Fico pensando o que aconteceu com essa parte que perdi, se ela é de alguma forma melhor do que a que ganhei em troca.

Não sei.

Sei que parecemos parados no tempo, numa imobilidade sem fim. Sei que parece que tudo é igual, todo dia, todo dia. Mas essa é a beleza das coisas. Nada nunca é igual.

Os continentes se movem irresistivelmente um em direção aos outros. Até os continentes se movem.

Nos movemos também. Mais rápido um pouco.

Não estamos com os pés tão fundos na terra assim. Somos plásticos, luminosos.

Diferentes, a cada dia. A cada acontecimento. Conversa. Sorriso. Somos diferentes a cada musica que escutamos. A cada célula que morre.

O tempo é bruto, brutissimo.

Cruel e ao mesmo tempo, confortador em sua solidez.

O tempo não muda.

Nós sim.

Somos belos.

Post conjunto com o Get me away

Maria Anita3:36 PM Comments:
Terça-feira, Junho 01, 2004


"I'm not as sad as Dostoievisky,
I'm not as clever as Mark Twain,
I'll only buy a book for the way it looks,
And then I stick it on the shelf again"

(This is just a modern rock song - Belle and Sebastian)


Na verdade tomo muito cuidado com meus livros. Antes de comprar escolho bem o autor, leio a resenha, leio o primeiro paragrafo. Antes de comprar peço opinião de quem leu, olho a critica na revista. Escolho-os com cuidado e paixão. E ainda assim, às vezes, eles me decepcionam. Eles tem final horrivel, a mulher morre, falta emoção, falta talento.

Fui tão ensinada a não escolher o livro pela capa. Para olhar para onde ando. Para escolher bem.

Antes eu até lia o final, para ter certeza que não seria surpreendida com nenhum triste.

Sempre fui tão segura... e pra que?

A vida ainda é uma grande montanha russa e todos os livros, bons e ruins, vão para a mesma estante, no final.

Mesmo com as melhores criticas não há segurança.

E apesar de assustada, ultimamente compro os livros de capa vermelha e titulo legal.

Vou com eles aprendendo a tristeza russa e a suavidade do Twain.

POst conjunto com o Get me away





Maria Anita11:11 PM Comments:
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