Sete Faces



Terça-feira, Setembro 28, 2004


"You don`t need anyone, anything at all" u2


Só quem tem irmão que sabe.

E não pode ser qualquer irmão não.

Não pode ser qualquer um.

Você tem que ter posto nos braços quando ele ainda usava fraldas e nem lembrar.

Tem que ter carregado na garupa da bicicleta e depois, ter sido carregada.

Tem que ter passado as tardes juntos só jogando conversa fora.

Ter feitos planos mirabolantes, que nem sempre deram certo.

Tem que ter brigado, batido, apanhado, sabendo que daí a cinco minutos tudo estaria bem.

Só quem tem irmão que sabe.

Só quem já defendeu. E cada ofensa a ele fosse como uma ferida na pele frágil debaixo das unhas.

Só quem já teve raiva, ciúme, inveja e todos esses sentimentos mesquinhos, que depois, não significam nada no grande esquema das coisas.

Só quem tem irmão sabe que é pra vida toda.

Ninguém devia ser filho único.

Meu irmão faz hoje dezoito anos.

Bem vindo a maior idade, Filhão, tenho certeza que você se sairá bem, como vem se saindo até aqui.

Tenho certeza que tudo ficará bem, porque você é você, simplesmente. Meu melhor irmão, eu não escolheria nenhum outro.

Se cuida

Beijos

eu



Maria Anita5:16 PM Comments:
Terça-feira, Setembro 21, 2004


"Tenho fases, como a lua" Cecília Meirelles.

Sofro de humores. Instáveis. Inconstantes. Hormonais, quase.

Posso acordar mal humorada e sem paciência, desanimada, instável, e ficar subitamente boa. Posso ficar triste sem porque, de uma hora pra outra.

Posso ter acessos repentinos de choro. Ou de riso.

Posso ter uma vontade estranha de comer guariroba.

Às vezes, animo sair, socializar, conhecer gente, conversar com estranhos na fila do caixa. Às vezes ponho uma cara feia pro mundo, como se tivesse perdido uma coisa vital e nem soubesse onde procurar.

Tenho fases.

Duram minutos ou semanas, não importa. Sempre passam.

O que me mantêm seguindo. O que me traz mesmo consolo são as constantes.

As constantes da minha vida são o que mais prezo. Às vezes por serem tão poucas em relação as variáveis.

As constantes me fazem feliz, me deixam segura, abrem meu sorriso nos dias nublados.

Sem elas, eu seria sempre um poço inteiro de duvidas e instabilidade.

Elas que fixam meus pés na terra e insistem para que eu ande.

Para que não tenha preguiça. Para que eu me mova, caminhe, ande de bicicleta, converse.

São elas.

De minhas fases, já cansei.


Post Conjunto com o Martini Seco

Maria Anita6:38 PM Comments:
Terça-feira, Setembro 14, 2004


"Leiam muitos livros, plantem algumas árvores, casem-se por amor e nunca aceitem caronas de estranhos" Charles Kiefer

No fim das contas a gente recebe um bocado de conselhos.

Seja isso. Faça aquilo. É assim. Não é.

Alguns conselhos até valem a pena. Eu pelo menos espero porque com certeza dou muitos por aí.

Os riscos de um conselho ruim são inimaginaveis.

Uma simples palavra de apoio e ... oops.

Coisas acontecem.

Tento ter cuidado ao abrir minha boca grande, mas nem sempre dá.

Não me escutem muito ultimamente.

Só quando digo pra não pegar carona de estranhos. Definitivamente.

E olhar para os dois lados antes de atravessar a rua.

E...

Post conjunto com o Martini Seco

Maria Anita5:15 PM Comments:
Domingo, Setembro 12, 2004


"Let's dance, put on your red shoes and dance the blues" David Bowie

O negócio é que não sei dançar.

Tenho uma certa descordenação nos braços. Minhas pernas não se movem na direção certa. Não tenho postura.

Se eu pudesse ser outra pessoa acho que gostaria de ser a Ginger Rogers. Definitivamente.

Imagine poder se mover daquela forma. Com aquela graça. Imagine. Imagine.

Imagine se a música fizesse parte de você como um apendice físico. Um membro.

Não tenho nenhum talento assim tão intrinseco. Principalmente se envolve algum movimento mais brusco.

Mas o que descobri é que tudo na vida se aprende.

Que é preciso esforço, apoio. Algumas vezes mais, algumas menos.

Que dançar é quase como viver. Cada um no seu jeito, um mais ritmado que outro, e se aprende.

Se leva. Alguns escutam uma música, outros querem uma diferente. Mais rápido, mais lento. Em par. Sozinho. De grupo.

Não importa. É preciso se divertir, e daí se não é bem assim que se faz?

Vamos por os sapatos vermelhos e dançar.

É preciso. É preciso se mover sempre.

Ficar parado cansa.

Não sei dançar.

Mas agora tento.



Maria Anita9:30 PM Comments:
Terça-feira, Setembro 07, 2004


"Não vão embora daqui
Eu sou o que vocês são
Não solta da minha mão
Nâo solta da minha mão"
(Los Hermanos)


Vivemos em grupo. Contra todas as probabilidades.

Olhamos para os lados procurando identificar no outro algo nosso. Algo próximo. Algo que nos una e faça de nós serem menos sozinhos.

A cidade de origem, o mesmo curso, o mesmo gosto musical, a mesma avó, o mesmo traço sanguíneo, o mesmo emprego. Os pontos em comum vão soldando os elos de nossas correntes, como comunidades no Orkut.

Nem sempre as pessoas mais solitárias são as mais diferentes. As mais incomuns. As mais solitárias são em geral, aquelas incapazes de ver nos outros a si mesmo. Aquelas que não enxergam que o que é comum atrai e o que é diferente conquista.

Não sou muito diferente nem igual. Tenho meu circulo. Minha corrente. Tenho meus queridos, meus conhecidos, meu mundo enfim.

Está aberto para possibilidades, apesar de nem sempre parecer e eu tenha tendencia de fugir um pouco.

Costumo ser gentil, apesar de alguns ataques subitos de mal humos e tpm.

Segura na minha mão, não vá embora não.

A vida é bem mais palatável em conjunto.

Post (conjunto) com o Martini Seco



Maria Anita3:52 PM Comments:
Sábado, Setembro 04, 2004


"Sou perfeita porque
Igualzinha a você
Eu não presto"
Chico Buarque


Pra falarmos a mesma lingua é necessário primeiro um pouco de vontade.

Esse négocio de vontade é muito importante na comunicação.

Vontade de entender o outro. Vontade mesmo.

É ver que a outra pessoa é diferente e não achar isso um defeito intolerável.

É ver o diferente com o minimo de julgamento possivel.

Eu já fui muito mais aberta para o mundo. Para os outros.

Antes, tudo era normal. Tudo que não prejudicasse ninguém com certa obviedade para mim era normal. Humano. Aceitavel.

Nunca encarei como qualidades ou defeitos, mas modos diferentes de ver as coisas.

Hoje tenho bem menos paciencia.

Hoje me maravilho bem menos com aquelas pessoas ligereiramente anti-sociais.

Percebo menos as coisas importantes. Deixo de notar detalhes que nunca me passariam incólumes tempos atrás.

Regredi.

Sou mais moldável. Mais igual a todo mundo.

Estou mais feliz assim, obrigada.

Mas às vezes sinto falta de toda aquela humanidade.

Pra onde será que foi?

Será que está em mim ainda, ou se escorreu com algum movimento brusco?

Vou ali ver Peixe Grande e deixo a dúvida pra lá, esquecida junto com outras que já me pareceram bem mais vitais.

Mas antes é bom lembrar que somos feitos sob medida uns para os outros, iguais, no fim. Mesma carne e sangue e doenças raras. Somos da mesma espécie estranha. Ninguém presta. E temos todos o mesmo final. O mesmo.



Maria Anita10:45 PM Comments:
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